Hoje, fui a exames que fazem parte da rotina das mulheres adultas, principalmente das que já chegaram à terceira idade. E, mais uma vez, me vi remoendo contra a parafernália da Medicina, tanta tecnologia e tão pouca saúde. Mas, tenho certeza de que se aproxima o dia em que usaremos os recursos naturalmente disponíveis, em nossas mentes, e deixaremos de praticar essa espécie de suicídio cotidiano: sem stress, sem açúcar, sem carne vermelha, sem poluição, sem agrotóxicos....E a Medicina será básica e preventiva, os Psicólogos, nutricionistas, hipnoterapeutas, os homeopatas exercerão papel de destaque. E, principalmente, os professores, que serão nossos guias, ensinando, desde a mais tenra idade, regrinhas simples e fundamentais, essenciais à manutenção dessa máquina que é habitada por nossos espíritos.
Drogas lícitas e ilícitas para forjar felicidade? Não precisaremos, saberemos buscar bem estar naturalmente, acionando nossos mecanismos de produção de serotonina e dopamina. Anti-depressivos para quê?
De qualquer forma, o meu mundo é esse, meu tempo é agora, esse futuro ainda não chegou...então, meus protestos se limitam a elucubrações e, anualmente, sigo a mesma cartilha, me submeto obedientemente, às parafernálias tecnológicas que vão dizer se tenho, ou não, saúde.
Saí, cedo, querendo me livrar logo dessa obrigação. E tudo ficou pela metade pois o inusitado aconteceu: o meu Plano de Saúde, que libera as requisições, por telefone, alegou que não poderia autorizar os exames pois, aos sábados, não há médicos para realizar perícia. E desde quando, indago eu, se faz perícia por telefone? E, sobretudo, exames de rotina, exigidos periodicamente a quem já passou dos 50, prescindem de perícia! Bastaria checar o tempo transcorrido desde a última requisição! Mesmo com o contratempo, nem posso queixar-me; afinal, sou privilegiada, não dependo da Rede Pública.
Ainda assim, não hesito em remoer, em criticar: toda essa tecnologia que permitiu o rápido contato entre a Clínica e a Central 0800 do Plano (fax, teleones, emails...) tudo inútil porque a operadora do Plano não domina o idioma pátrio e desconhece o signifiicado da palavra "perícia"...E não tem discernimento para perceber que perícias não são necessárias a exames de rotina... E não sabe interpretar o manual que, provavelmente, utiliza ao atender os contatos da rede credenciada. A melhor tecnologia é degradada quando o ser humano que a utiliza é um analfabeto funcional.
Na saída, uma velhinha, me fez a estranha pergunta: quem vem de Goiânia para, aqui, nessa entrada? Ela estava aguardando alguém e não sabia em que ala do edifício deveria esperar. Sugeri que entrasse em contato telefônico e ela respondeu que não tinha.
Enquanto os mais jovens dominam qualquer engenhoca moderna, entre os mais velhos, muitos ainda resistem e alegam, tolamente, que sempre viveram bem "sem essas coisas". A preguiça mental não é monopólio dos jovens avessos ao domínio do idioma; a mesma preguiça aflige os mais velhos que se recusam a usar qualquer tecnologia.
Se o nosso tempo é agora, porque rejeitar esses recursos que, nesse mundo mais complexo, facilitam a vida? Pareço contraditória, defendendo e atacando a tecnologia?
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sábado, 22 de janeiro de 2011
sábado, 25 de dezembro de 2010
Contra o convencionalismo, a favor de Ivan Illich. Por quê?
No post anterior, relembrei Ivan Illich. Esse pensador me impressionou de forma definitiva quando, ainda na Faculdade, por proposta da professora da cadeira de Metodologia Científica, fiz a leitura, resumo e comentário da sua obra mais famosa: Sociedade sem Escolas.
Não fosse a zelosa professora Maria Bueno e eu estaria, até hoje, ignorando conceitos arrojados que me ajudaram a confirmar muito do que eu já intuía e a me desvencilhar, de vez, de preconceitos e equívocos sobre a minha suposta incapacidade e sobre as capacidades de profissionais e de suas instituições. Valeu por uma terapia. Ou, quem sabe, mais que uma terapia.
Na época, eu já era mãe de quatro crianças, dois deles portadores de alergias severas. Lutando com o uso da medicação convencional para essa patologia (que, ainda hoje, é o que há: corticóides e aminofilina), eu começava a descrer da Medicina. Sempre buscando a transcendência, eu assinava uma revista chamada "Planeta" e, ali também, fui surpreendida por idéias tão arrojadas quanto as de Illich: Por que o homem é o único animal que bebe leite a vida inteira? Por que beber leite de outros animais? E eu, comigo mesma: Não deveria beber???!!!!! Trocamos o consumo da mandioca (herança indígena) pela ingestão do venenoso trigo branco... E que mal haveria , no pãozinho de cada dia, pensava eu com espanto!?
Era o início da década de 80, estávamos muito distantes das liberdades dos tempos presentes e dos avanços da Nutrição. Aliás, tudo o que se referisse ao tema alimentação estava restrito ao âmbito doméstico, portanto, alvo de menosprezo, coisas de mulher. Mas, tive a sorte de ler os artigos de um médico, Dr. Márcio Bontempo, um homem que ousava pensar, naquela revista despretensiosa, a "Planeta".
Eu me recusava a aceitar quando alguns profissionais de saúde teimavam em me fazer acreditar que o resultado de uma operação dois mais dois não era quatro. Ou seja, eu via os efeitos devastadores da aminofilina no organismo do meu filho que me dizia: mãe, eu estou triste, mãe, estou cansado... não sei porque eu estou triste, mole...
O remédio provocava depressão na criança... O Pediatra dizia que não. Eu preferi acreditar no que via e desistir da medicação.
E, enquanto meus filhos cresciam, minha experiência se consolidava: é difícil lidar com profissionais diplomados, principalmente da saúde, porque descartam o outro como ser pensante, porque negam evidências ao invés de admitir que não tem todas as respostas. Na educação, pude testemunhar a forma como respostas criativas dos meus filhos eram descartadas como erradas por variados professores, enquanto cursavam o ensino de 1º grau.
Portanto, com esse sentimento de desconforto, resultado de experiências tão negativas, conhecer o pensamento de Ivan Illich foi, para mim, libertador.
E, daí, surge o meu interesse pelo tema "saúde e educação" e a vontade de tratá-los, numa visão integrada: a saúde vem da alma e a educação é que a constrói.
Quem é o doente? É quem persegue o próximo, é quem rotula e exclui...é todo aquele que, movido pela própria rigidez e conservadorismo, ultrapassa os limites daquilo que alega estar defendendo: seja a saúde, seja a educação, a decência, a ética, a moral e os bons costumes...
A propósito, vale lembrar a postagem anterior, sobre Júlio Assange: invocar sigilo de estado para ocultar ações criminosas, ou duvidosas, não seria imoral é doentio? Quem tem esse pecado, ou doença, não poderia atirar pedras em Julian Assange. Precisa, fundamentalmente, curar-se, ou melhor, educar-se...
Tanto é verdade que a educação condiciona a saúde que, hoje, quando se busca o controle de peso, a palavra chave dos nutricionistas é reeducação. E, se alguem infarta, o cardiologista logo propõe a formação de novos hábitos ou seja: reeducação. Aos deprimidos, a ciência já recomenda a prática de atividades físicas, que estimulam a produção de dopamina e serotonina, visando a redução gradativa de medicamentos.
Fica cada vez mais claro que o uso de um arsenal de remédios e a repetição de exames sofisticados e dispendiosos, podem ser suprimidos quando as pessoas são orientadas a cuidar de si mesmas.
E a nossa suposta incapacidade, frente à pseudo-proteção das instituições, começa a ser questionada, felizmente. Até porque, o Estado já se sabe incapaz de prover cuidados para a massa sempre crescente de doentes.
A razão, portanto, sempre esteve com Illich quando defendia a autonomia do cidadadão contra a supremacia das instituições.
Não fosse a zelosa professora Maria Bueno e eu estaria, até hoje, ignorando conceitos arrojados que me ajudaram a confirmar muito do que eu já intuía e a me desvencilhar, de vez, de preconceitos e equívocos sobre a minha suposta incapacidade e sobre as capacidades de profissionais e de suas instituições. Valeu por uma terapia. Ou, quem sabe, mais que uma terapia.
Na época, eu já era mãe de quatro crianças, dois deles portadores de alergias severas. Lutando com o uso da medicação convencional para essa patologia (que, ainda hoje, é o que há: corticóides e aminofilina), eu começava a descrer da Medicina. Sempre buscando a transcendência, eu assinava uma revista chamada "Planeta" e, ali também, fui surpreendida por idéias tão arrojadas quanto as de Illich: Por que o homem é o único animal que bebe leite a vida inteira? Por que beber leite de outros animais? E eu, comigo mesma: Não deveria beber???!!!!! Trocamos o consumo da mandioca (herança indígena) pela ingestão do venenoso trigo branco... E que mal haveria , no pãozinho de cada dia, pensava eu com espanto!?
Era o início da década de 80, estávamos muito distantes das liberdades dos tempos presentes e dos avanços da Nutrição. Aliás, tudo o que se referisse ao tema alimentação estava restrito ao âmbito doméstico, portanto, alvo de menosprezo, coisas de mulher. Mas, tive a sorte de ler os artigos de um médico, Dr. Márcio Bontempo, um homem que ousava pensar, naquela revista despretensiosa, a "Planeta".
Eu me recusava a aceitar quando alguns profissionais de saúde teimavam em me fazer acreditar que o resultado de uma operação dois mais dois não era quatro. Ou seja, eu via os efeitos devastadores da aminofilina no organismo do meu filho que me dizia: mãe, eu estou triste, mãe, estou cansado... não sei porque eu estou triste, mole...
O remédio provocava depressão na criança... O Pediatra dizia que não. Eu preferi acreditar no que via e desistir da medicação.
E, enquanto meus filhos cresciam, minha experiência se consolidava: é difícil lidar com profissionais diplomados, principalmente da saúde, porque descartam o outro como ser pensante, porque negam evidências ao invés de admitir que não tem todas as respostas. Na educação, pude testemunhar a forma como respostas criativas dos meus filhos eram descartadas como erradas por variados professores, enquanto cursavam o ensino de 1º grau.
Portanto, com esse sentimento de desconforto, resultado de experiências tão negativas, conhecer o pensamento de Ivan Illich foi, para mim, libertador.
E, daí, surge o meu interesse pelo tema "saúde e educação" e a vontade de tratá-los, numa visão integrada: a saúde vem da alma e a educação é que a constrói.
Quem é o doente? É quem persegue o próximo, é quem rotula e exclui...é todo aquele que, movido pela própria rigidez e conservadorismo, ultrapassa os limites daquilo que alega estar defendendo: seja a saúde, seja a educação, a decência, a ética, a moral e os bons costumes...
A propósito, vale lembrar a postagem anterior, sobre Júlio Assange: invocar sigilo de estado para ocultar ações criminosas, ou duvidosas, não seria imoral é doentio? Quem tem esse pecado, ou doença, não poderia atirar pedras em Julian Assange. Precisa, fundamentalmente, curar-se, ou melhor, educar-se...
Tanto é verdade que a educação condiciona a saúde que, hoje, quando se busca o controle de peso, a palavra chave dos nutricionistas é reeducação. E, se alguem infarta, o cardiologista logo propõe a formação de novos hábitos ou seja: reeducação. Aos deprimidos, a ciência já recomenda a prática de atividades físicas, que estimulam a produção de dopamina e serotonina, visando a redução gradativa de medicamentos.
Fica cada vez mais claro que o uso de um arsenal de remédios e a repetição de exames sofisticados e dispendiosos, podem ser suprimidos quando as pessoas são orientadas a cuidar de si mesmas.
E a nossa suposta incapacidade, frente à pseudo-proteção das instituições, começa a ser questionada, felizmente. Até porque, o Estado já se sabe incapaz de prover cuidados para a massa sempre crescente de doentes.
A razão, portanto, sempre esteve com Illich quando defendia a autonomia do cidadadão contra a supremacia das instituições.
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