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domingo, 4 de dezembro de 2011

Mais templos ou mais escolas?

Há pessoas que atribuem o incremento da violência, nos dias presentes, à ausência de Deus na vida dos infratores. Numa visão simplificada, parecem acreditar que a adesão maciça à igreja que frequentam resultaria em transformação dos indivíduos e da nação. Pronto! Eis a solução ao alcance dos, ainda, ausentes, venham e depositem, aqui, suas expectativas...

Esses "ausentes", indecisos ou incrédulos convictos, tem à sua disposição milhares de templos , de variadas denominações. Das pentecostais: 13000 da Igreja Universal do Reino de Deus (a maior delas), 7.500 da Igreja do Evangelho Quadrangular, 4700 da Congregação Cristã do Brasil, 4600 da Igreja Brasil para Cristo, 4300 da Igreja Pentecostal Deus e Amor, 4.500, da Igreja Mundial do Poder de Deus, além de milhares de outras denominações de menor expressão e de nomes bizarros (Igreja Eu Sou a Porta, Bola de Neve, Automotiva do Fogo Sagrado, etc). E seguem as igrejas protestantes históricas: Batista, Luterana, Anglicana, Presbiteriana, Metodista, Adventista, e outras.

E a Igreja Católica? Há pouca informação no Google, mas seriam 8600 paróquias.

Quanto ao espiritismo kardecista e as religiões de origem africana, não fazem proselitismo, ou seja, não se vê, por aí, um espírita ou candomblecista fazendo o discurso da conversão ou reivindicando ser a "solução geral da moral individual", assim, magicamente, milagrosamente...

O fato é que, somente com os números identificados, já se ultrapassa os quarenta mil templos espalhados pelo Brasil, ou seja um templo para cada grupo de 4.466 brasileiros.

150000 fiéis já teriam lugar garantido na Igreja Mundial do Poder de Deus , em nova sede com capacidade superior a do Maracanã.

Conclusão: com tantos templos se multiplicando, a cada dia, se a pregação fosse eficaz, a criminalidade já não estaria em declínio?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

E, que tal uma fé desinteressada?

Uma fé verdadeira e desinteressada seria muito útil nesses dias de “toma lá dá cá”. Crer, não pela promessa de um dia vindouro, mas pela vida da qual já se desfruta, agora. O dom de viver pertence a qualquer um que nasceu, concedido pelo Criador que nada pediu em troca. Esse é um motivo suficiente para crer, para ser e fazer o melhor da própria vida.

Mas não é esse o tipo de motivação explorada pela educação. O hábito de se oferecer uma recompensa, a quem cumpre com suas obrigações, começa em casa, quando os pais premiam ou castigam para estimular comportamentos desejados. Poderíamos, desde cedo, ser conduzidos a perceber que nossos melhores desafios e recompensas são conquistados em nosso íntimo, quando vencemos a nossas próprias limitações.

Nos dias presentes, muitos escolheram atribuir a forças externas todo o poder de realização que deveriam cultivar em si. Afirmam conseguir emprego, boa saúde, passar em vestibular e em concursos, manter os filhos a salvo das drogas, de gravidez precoce, etc, tudo por “intervenção divina”. E a divindade lhes concede todas as benesses por freqüentarem e trabalharem para essa ou aquela igreja, de preferência sem descuidar dos dízimos. Se, de repente, se afastam...Cuidado, a vida pode degringolar. Então, para esse grupo cada vez mais numeroso de pessoas, há muito pouco o que se fazer “aqui fora” ou, melhor dizendo, dentro de si mesmos.

Quando buscamos em nós, somos mais compassivos porque passamos a enxergar melhor nossas próprias fraquezas. Os fiéis das "igrejas", induzidos a crer que fazem jus à prosperidade e que estão a salvo por estarem em certos templos, tendem a repudiar os que professem outra fé: caminham, exatamente, na contra-mão dos princípios cristãos e por vezes, com extrema crueldade, atribuem a desgraça alheia à prática de outros credos. “Se a vossa justiça não ultrapassar a dos fariseus, não entrareis no reino dos céus”, eis a simplicidade dessa sentença, em que Jesus informa que a verdadeira justiça é a misericórdia.

As novas igrejas fazem tudo parecer muito fácil, basta dar o dízimo, freqüentar reuniões, entoar cânticos de feições cada dia mais profana: é o funk de Jesus, é o axé do Senhor... músicas melosas semelhantes às baladas românticas que se escuta em qualquer parada de sucessos. Fazem um triste e ridículo arremedo das diversões que, aqui fora, atraem os jovens; organizam grupos com diferentes níveis de poder, em que se pode ascender a hierarquias mais elevadas levando a competição, a intriga e a inveja para o seio das igrejas!

Os jovens atraídos precisariam, antes de qualquer coisa, melhorar seu nível educacional para entender o real sentido de justiça, de misericórdia, de tolerância... E veriam, de imediato, que nada é tão fácil, que tudo custa um enorme esforço individual e que, mais do que se sacudir cantando o funk do Senhor, o necessário é estudar muito, ler bons livros, ouvir boa música... Sem se submeter ao crivo desta ou dela igreja que pretende, na verdade, dominar e manipular para ter o controle de uma multidão, cada vez mais numerosa, de pessoas crédulas que atribuem o próprio sucesso ou fracasso a causas externas, que se sentem prisioneiras e que receiam afastar-se e perder o que acreditam haver conquistado por intervenção da igreja.