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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Na Bíblia, crueldade, violência, injustiças incompatíveis com o direito e com valores da civilização

Paradoxalmente, a eleição do Pastor Marcos Feliciano, para a Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, pode ser vista positivamente por ter suscitado discussões acirradas a cerca dos temas "direitos", "intolerância", "liberdade de expressão"... E mais, os intolerantes saíram do armário e exibiram, orgulhosamente, as próprias limitações.

Com alguma frequência, tenho escrito sobre o assunto "religião" ou, melhor dizendo, sobre a forma com que  religiões são praticadas, em nosso país multicultural, ferindo o direito de muitos e contribuindo para sustentar a ignorância de adeptos, enquanto líderes religiosos enriquecem ilicitamente: do que precisamos? Mais templos ou mais escolas de qualidade?

E, por essa indagação, propus avaliar o desempenho das igrejas, tal como se avalia o desempenho das nossas escolas.

O que incomoda, a quem ouse pensar, é o fato de o número crescente de denominações e templos, se multiplicando vertiginosamente, não corresponder à "pacificação" das personalidades: a violência é crescente e os crentes insistem em um diagnóstico: "Isso é falta de Deus". Pode ser mas, falta de igreja não é, em cada beco, em cada esquina, avista-se uma placa, um convite à prosperidade,  à saúde...

Afinal, o que ensinam as igrejas e a Bíblia? Quantos pastores estariam aptos, intelectualmente e eticamente, a pregar tendo por base o texto bíblico, sem incentivar o ódio e a intolerância?

Desde cedo, cultivo a liberdade de pensamento e de opinião, frequentando religiões diferentes aprendendo a admirar seus ritos e suas mensagens mas repudiando, visceralmente, a submissão a "meias verdades". Claro que a "verdade inteira" não está disponível mas daí a alimentar a minha fé por meio de trechos pinçados da Bíblia, pelo padre, pelo pastor ou por qualquer pregador... Então, decidi ler a bíblia do início. E levei um susto ao constatar que a Bíblia é um livro que relata e prega o uso de violências e crueldades inomináveis! Há salmos em que se clama pelo derramamento do sangue dos inimigos! E há o derramamento do sangue de animais  para purificar os pecados dos homens!

A crença no dever de amar ao próximo e a Deus sobre todas as coisas é incompatível com muitos dos versículos bíblicos que andam na boca de pessoas que pretendem transmitir regras de boa conduta.

Êxodus,7, 17, 18:
Assim diz o SENHOR: Nisto saberás que eu sou o SENHOR: Eis que eu com esta vara, que tenho em minha mão, ferirei as águas que estão no rio, e tornar-se-ão em sangue. E os peixes, que estão no rio, morrerão, e o rio cheirará mal; e os egípcios terão nojo de beber da água do rio.

2 Samuel, 24 - 11 a 23
Levantando-se, pois, Davi pela manhã, veio a palavra do SENHOR ao profeta Gade, vidente de Davi, dizendo:
Vai, e dize a Davi: Assim diz o SENHOR: Três coisas te ofereço; escolhe uma delas, para que ta faça.
Foi, pois, Gade a Davi, e fez-lho saber; e disse-lhe: Queres que sete anos de fome te venham à tua terra; ou que por três meses fujas de teus inimigos, e eles te persigam; ou que por três dias haja peste na tua terra? Delibera agora, e vê que resposta hei de dar ao que me enviou.
Então disse Davi a Gade: Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do SENHOR, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu.
Então enviou o SENHOR a peste a Israel, desde a manhã até ao tempo determinado; e desde Dã até Berseba, morreram setenta mil homens do povo.
Estendendo, pois, o anjo a sua mão sobre Jerusalém, para a destruir, o SENHOR se arrependeu daquele mal; e disse ao anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, agora retira a tua mão. E o anjo do SENHOR estava junto à eira de Araúna, o jebuseu.
E, vendo Davi ao anjo que feria o povo, falou ao SENHOR, dizendo: Eis que eu sou o que pequei, e eu que iniqüamente procedi; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai.
E Gade veio naquele mesmo dia a Davi, e disse-lhe: Sobe, levanta ao SENHOR um altar na eira de Araúna, o jebuseu. Davi subiu conforme à palavra de Gade, como o SENHOR lhe tinha ordenado.
E olhou Araúna, e viu que vinham para ele o rei e os seus servos; saiu, pois, Araúna e inclinou-se diante do rei com o rosto em terra. E disse Araúna: Por que vem o rei meu Senhor ao seu servo? E disse Davi: Para comprar de ti esta eira, a fim de edificar nela um altar ao SENHOR, para que este castigo cesse de sobre o povo. Então disse Araúna a Davi: Tome, e ofereça o rei meu senhor o que bem parecer aos seus olhos; eis aí bois para o holocausto, e os trilhos, e o aparelho dos bois para a lenha.
Tudo isto deu Araúna ao rei; disse mais Araúna ao rei: O SENHOR teu Deus tome prazer em ti.

Então, diante das incoerências, não só dos versículos citados mas de muitos outros, que tratam de violência, vingança e injustiça e, pasmem, até do arrependimento do SENHOR (Estendendo, pois, o anjo a sua mão sobre Jerusalém, para a destruir, o SENHOR se arrependeu daquele mal; e disse ao anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, agora retira a tua mão), cabe analisar a Bíblia como livro histórico. Não se pode, simplesmente, invocá-la como pretexto para punir e excluir pessoas como se depreenderia dos versículos seguintes:

"Levítico 18,22: Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante."

"Deuteronômio, 22 - 20, 21:  Se, porém, esta acusação for confirmada, não se achando na moça os sinais da virgindade,  levarão a moça à porta da casa de seu pai, e os homens da sua cidade a apedrejarão até que morra;".

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é mais generosa e sábia, permite a convivência e o respeito. E guarda sintonia com outros mandamentos bíblicos, estes sim, adequados a um mundo civilizado.

Mateus 7:1-5
"Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.
E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão."

Mateus 5:43-47
Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?

Tudo aquilo que, na bíblia, apontar para o confronto, para o ódio, para a exclusão, não poderia ser pregado. Não se deve incitar o ódio entre seres humanos usando palavras bíblicas! 

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sem educação, saúde e segurança são inalcançáveis

Meu tema, aqui, é quase sempre, a educação. Então, por que o título, “a saúde vem da alma”? E, por que a saúde viria da alma?

Porque, sem educação básica, a saúde é uma farsa, mera manutenção de parco equilíbrio, limitado ao corpo físico, a custa de medicamentos e de exames, onde a saúde mental e emocional, os hábitos, a cultura de cada um, não contam. Porque a educação é capaz de promover uma auto-aproximação: faz com que cheguemos mais perto de quem somos de fato.

Quando a cabeça não pensa, o corpo padece, sempre afirmaram os mais velhos, sabiamente. Sem conteúdo, ficamos a mercê das aparências, consertando a “máquina” em seus revestimentos, deixando de lado o que interessa de fato: nossos verdadeiros sentimentos, nossos reais talentos e interesses, nossos valores... Essas coisas abstratas que residem em nossa espiritualidade, que parecem distante e que, no entanto, são determinantes em nossa saúde, em nossa aparência física; fazem a diferença no plano individual e no plano coletivo.

No passado remoto, quando os habitantes do planeta constituíam grupos esparsos, separados por milhares de quilômetros e vivendo do que a terra produzia, talvez a educação não fosse tão relevante. Relevante era sobreviver. Agora, que somos bilhões, a maioria amontoados nas grandes cidades, relevante é saber conviver, é saber preservar recursos e espaços cada vez mais exíguos. A educação, então, ganha a mesma importância que o arroz e o feijão. E está à frente da saúde e da segurança.

Quantos policiais seriam necessários para manter a segurança na presença de turbas deseducadas? É possível, ao estado, prover segurança satisfatória quando a educação é relegada e quando, nas escolas, professores são alvo de violência física e psicológica?

Como prover a saúde de milhões de analfabetos funcionais? Analfabetos funcionais, sem acesso à informação de qualidade, refém de valores duvidosos ditados por propagandas que induzem ao consumo desenfreado, à exacerbação da sexualidade... Refens de maus religiosos que usam a Bíblia e o nome de Deus para subjugar os mais fracos...Como garantir saúde emocional e mental e evitar a formação de "quadrilhas", a partir desse exército de pessoas mal-formadas? Os atos de selvageria crescem, a cada dia, em quantidade e em crueldade.

Ainda assim, muitos brasileiros bem formados tendem a acreditar mais nas soluções de segurança em detrimento da educação. Precisamos acordar já que, nem no interior de nossas casas, encontraremos segurança se não soubermos conviver e ensinar a conviver em bases fraternas e de respeito mútuo. A falta de educação mata.

Existiria civilização sem educação?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A falta de educação mata

Acho espantoso que tantas crianças e jovens estejam sendo vitimados pela violência. Acredito que o assunto já deveria ser alvo de medidas especiais por parte das autoridades de saúde e de educação do país, porque todo esse excesso revela que a questão já ultrapassou a esfera policial; é praticamente, uma epidemia.

Não me julgo um modelo de mãe; e nem teria a pretensão de ditar regras de bem educar, mas observo que os pais talvez estejam se deixando “conduzir” pelos filhos, por modismos típicos da adolescência; talvez queiram parecer modernos, descolados, sem preconceitos... Sempre que vejo, no noticiário, acidentes fatais envolvendo meninos e meninas entre 16 e 18 anos, quando retornavam da balada, às 4 da matina, me pergunto: como assim??!! E meninas namorando aos 12 anos?

Os pais estão precisando de socorro para que possam socorrer seus filhos ou, até, para não deixá-los nascer antes que tenham maturidade para zelar por eles. Afinal, engravidar, não pode ser algo automático, sem compromisso, sem noção da responsabilidade que é prover a segurança e a integridade de terceiros.

Quase que semanalmente, lemos notícias em que pais, principalmente mães, trancaram filhos em carros, ou em casa, e foram para a balada. Depois, sempre se diz, em defesa de quem abandonou, que “é uma boa mãe...”.

O pior, mesmo, são os crimes horripilantes praticados por pais, em dupla ou não... Recentemente, viu-se aquela mãe de São Paulo alegar que não socorreu os dois filhos, evitando que fossem mortos pelo pai, porque já estava em outro relacionamento em que tinha mais quatro filhos!! Então, é simples assim, dar vazão aos instintos sem qualquer controle, gerar filhos e atirá-los ao inferno.

Que me perdoem as feministas, mas sobra para a mulher, que gera e carrega, a parcela maior de responsabilidade com a vida. Para que não usufruam, irresponsavelmente, a liberdade recém-conquistada, como os homens sempre foram estimulados a fazer, precisam ser cobradas com campanhas educativas honestas, que mostrem os fatos como eles são: somente a mulher sabe com certeza quem é o pai do filho que carrega. E, quando se permite o viver promíscuo que caracterizou, até recentemente, o comportamento masculino, precisa estar preparada para possíveis conseqüências. Até porque, tendo, ou não certeza, ela é quem terá que segurar a situação, enquanto transcorre uma ação na Justiça e até que saia o resultado de um exame de DNA. Talvez por isto, algumas estejam atirando recém-nascidos à lixeira, como é mostrado no noticiário dos jornais.

A mulher não é, mesmo, igual ao homem; e esse é um fato biológico. Mas, a mulher de baixa renda vive presa a uma armadilha que lhe é imposta pela falta de educação. É a falta de educação que a escraviza, que a deixa refém de romantismos baratos, de modismos onde o erotismo é explorado exaustivamente, inconsequentemente. A falta de educação mata! Sem educação, saúde e segurança são quimeras...