segunda-feira, 30 de agosto de 2010

No meu tempo, no seu tempo...

As pessoas que, como eu, tem no currículo algumas décadas, frequentemente, iniciam diálogos com a frase "No meu tempo...", enquanto aludem ao que seriam as desvantagens dos dias presentes. E essas desvantagens, quase sempre, estão situadas no campo da moral e da ética.

Além de testemunha dos famosos "bons tempos", todos os que estudaram um pouco mais sabem que a realidade sempre foi dura para os mais pobres, para os mais fracos e para as minorias.

Se não rejeitaram todo o conteúdo de História do Brasil e de História Geral, ministrados no extinto Curso Primário e Ginasial, souberam que a ausência de direitos era a regra, que a tortura era uma prática, que a escravidão era normal já que categorias inteiras de criaturas, tidas por inferiores, ou perdedoras, eram subjugadas pelas nações e grupos mais fortes.

Os que lêem a bíblia sabem que a nação de Israel foi escravizada, ao longo da história, por diversos povos. Mas, dentre esses, a maioria enxerga a questão apenas em sua dimensão religiosa e sequer imagina que a escravidão era uma prática comum, um dos frutos da crueldade humana. Quando assistem, na TV,  notícias sobre o combate ao trabalho escravo,  sobre o tráfico de mulheres e de seres humanos em geral, provavelmente se espantam atribuindo esse fato a sintoma de uma doença do mundo moderno.

As atrocidades cometidas, no presente, em nome de religiões não superam às práticas passadas, em covardia, crueldade e dimensão. Basta lembrar a dizimação da cultura indigena e africana, imposta pela Igreja Católica no continente sul americano. Ou as fogueiras da inquisição, na Idade Média. Ou a prática da lapidação e da crucificação, que muitos ignoram  mas era um castigo corriqueiro.

E o assassinato em família? Era comum. Hoje, quando o noticiário nos defronta com filhos que  matam pais ou irmãos, ou a família toda, por herança, nos escandalizamos. E não é para menos. Mas é um erro acreditar que esse é um mal do mundo moderno. Muito pelo contrário, era um crime frequente em famílias em que se disputava o poder de governar.

E quanto ao mundo da política? Pobres e mulheres não votavam. O voto era restrito a homens que comprovassem uma certa renda.

E há muitos mais. Hoje, é possível buscar a verdade. Só permanece na ignorância quem se habituou a se limitar, acreditando em falsidades e em meias verdades, quando basta um click para descobrir e um pequeno esforço de raciocínio para avaliar as descobertas comparando-as às "revelações" de púlpitos e de palanques. Mesmo aqueles que "fugiram" da escola, ou que não tiveram acesso a ela, têm instrumentos formidáveis de informação à sua disposição. E, ainda que a escola seja "conservadora e limitante", é um bom ponto de partida para quem almeja pensar de forma mais independente, evitando rótulos e clichês.

domingo, 29 de agosto de 2010

Mulheres, homens... gays ou héteros...Seres humanos!

Os tempos mudam, os clichês e chavões pelos quais muitas pessoas se norteiam, também mudam.Ou seja, não nos desvencilhamos dos clichês, apenas os substituímos.

Portanto, não se pode contar com uma mudança de atitude, onde passemos a reconhecer e a rejeitar certos padrões de pensamento. E que padrões! Limitadores porque imobilizam, impedem o pensamento de fluir com liberdade, freiam a marcha do progresso, se opõem, até, à ciência.

Não vai longe o tempo em que "pérolas de sabedoria" desfilavam na boca de muita gente tida por intelectual: "Ecologia é coisa de viado", "lugar de mulher é na cozinha", "um homem não se senta no banco do carona em carro dirigido por mulher", "um filho gay ou uma filha solteira grávida, não podem partilhar a vida da família"...

Por causa desses padrões, solidamente plantados, considerável parcela da humanidade foi mantida em exclusão, não teve chance de contribuir com os talentos mais típicos de sua experiência e condição.

No século passado, quando a mulher começava a ter acesso às universidades e ao mercado de trabalho, era rotineiro se ouvir que não eram aptas para as áreas ligadas às ciências exatas, que mulheres não eram dotadas de raciocínio matemático: seres essencialmente maternais, deveriam buscar áreas de acordo com esse perfil.

Disseminando-se esse tipo de crença, restringia-se o acesso das mulheres a cursos que não fossem os de enfermagem, serviço social e magistério. E quando uma mulher ousava discordar desse molde, dessa espécie de forma, era logo rotulada, de rebelde, sapatão ... E, quando bem sucedida no trabalho, sempre levantaria suspeitas quanto à sua conduta sexual: será que dormiu com o patrão?

Preconceitos semelhantes são impostos aos que tem conduta sexual diferenciada e, historicamente, gays tem sido compelidos ao exercício de atividades tidas por femininas: na área de estética, artes, decoração, moda... Interessante é que somos, todos, levados a acreditar que gays devam se circunscrever a esse nicho, porque eles são como as mulheres, sensíveis... E a palavra "sensibilidade", nesse contexto, é sempre empregada de forma pejorativa.

Quando é que vamos procurar pensar com mais liberdade? O mais provável é que gays, assim como as mulheres, exercendo profissões fora desses nichos, vão desempenhá-las com o mesmo sucesso que os homens hetero, bastando que se lhes dê a chance de serem tratados como seres humanos que são, independentemente de sua inclinação sexual.

Já se nota, hoje, que algumas construtoras dão preferência à contratação de mulheres porque elas são mais caprichosas, mais detalhistas. Mas, há pouco menos de 30 anos, quem apostaria na presença de mulheres em canteiros de obras?

E os gays? Os que assumem publicamente a condição, continuam excluídos, marcando presença nos mesmos setores...

É interessante notar que a questão sexual, a par das religiões praticadas no mundo, mal compreendida e transformada em tabus de toda a sorte, é o pano de fundo de todo o atraso, de todas as limitações e atos de crueldade praticados contra tantos inocentes, por aqueles que se acreditam investidos de autoridade para impor um falso padrão moral: não raro, aqueles que perseguem e maltratam seus semelhantes é que são os portadores de desvios no comportamento sexual! Trata-se, na verdade, de um "padrão moral" ditado por recalques e desvios que poderiam ser curados com uma boa terapia.

Ou seja, doente é quem persegue o próximo cerceando a sua liberdade e oprimindo-o, subtraindo-lhe oportunidades de educação e de trabalho.

sábado, 28 de agosto de 2010

Maturidade e flexibilidade

Um cabelo branco aqui, outro ali, umas rugas, uns sulcos... Maturidade chegando, alguns privilégios, muitos estereótipos, muito preconceito a ser enfrentado. É que pessoas jovens, que pena, se apegam a algumas ideias com pouquíssima reflexão.E não é de agora e nem se pode culpar a atual geração de jovens. Na verdade, crenças vão sendo transmitidas, de pais para filhos; e, tão logo esses filhos se tornem adultos, se portarão, frente à geração de seus pais, com igual carga de preconceitos. 

Eu me lembro que, na década de 80, quando decidi voltar à Faculdade, um dos professores indagou a idade de todos os alunos e há quanto tempo estavam longe dos estudos. Ao ouvir-me, sentenciou: você terá que se esforçar muito... Não é para te desanimar, não... mas...

Imagina se eu me desanimaria com tamanha sandice... E eu nem  havia completado os 40.

Mais tarde, já em pleno século 21, quando me candidatei a uma vaga em uma grande empresa de telecomunicações, ouvi: vai ser difícil, a empresa não contrata maiores de 50. Difícil, seria qualquer dos concorrentes, menores de 30, conhecerem tudo o que eu sabia, e sei, sobre a minha área. Por isso, fui selecionada.

Aos sessenta, de volta ao mercado, percebo a desconfiança e, paradoxalmente, a confiança que desperto. Se, por um lado, a tendência é acreditar que alguém com 30 anos de experiência vá superar as expectativas, por outro lado, há os que se permitem duvidar de quem traz as marcas do tempo no rosto, como se todo o nosso conhecimento estivesse superado, desatualizado... ou seja, teríamos passado uma parte da vida encerrados em uma espécie de cápsula do tempo, a margem dos acontecimentos! Pura tolice, puro preconceito contra os mais velhos.

Um indivíduo jovem pode estar totalmente desatualizado caso viva isolado dos acontecimentos, caso não tenha interesse suficiente pela própria profissão, caso não tenha compromisso com o próprio trabalho.

O que eu acho quase cômico é que noto, nas entrelinhas e nos entreolhares, a incredulidade dos que me ouvem referir legislação com idade superior a 40 anos. É a ignorância de adultos jovens frente à legislação que, por dever de ofício, deveriam conhecer e aplicar. E, também, a falta de cultura geral pois quando se trata do Direito, uma pessoa razoavelmente bem informada jamais faria esse tipo de associação, inferindo que alguém com mais de 60 cita normas antigas por desconhecer normas atuais.

No Direito, quanto melhor a norma, por mais tempo se manterá. Mas os ignorantes, provavelmente, desconhecem esse princípio,  não sabem que a constituição inglesa e a americana são centenárias; e que o nosso código penal data de 1940! Não sabem que a sucessão de leis e de medidas provisórias resulta, não de um imperativo ditado pela necessidade de modernizar, mas da falta de habilidade em construir normas flexíveis que atravessem o tempo se ajustando  a novas realidades.

Pessoas que não se educam, velhos ou jovens, se refugiam nos preconceitos herdados. E a educação institucional, infelizmente, contribui para sedimentar preconceitos já que não trabalha para demovê-los ou sequer os identifica. Fazer o quê? O jeito é se armar de paciência, paciência que só a maturidade confere. E torcer por uma melhor educação.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Cada povo tem o governo que merece: é a lei da atração funcionando ...

Algumas pessoas parecem dotadas de habilidade especial  para identificar e explorar as fraquezas humanas. Assim, o portador de baixa auto-estima, ou seja,  aquele cara que está sempre pronto a vestir qualquer carapuça, sempre morto de medo de desagradar... é justamente esse sujeito a vítima potencial de qualquer intimidador/assediador.

E o assediado sempre se perguntará "por que eu", tão gentil, tão pronto a servir, tão cumpridor das minhas obrigações... É que o explorador tem uma espécie de faro ultrasensível às emanações de uma certa dose de pusilanimidade presente no assediado. A pusilaminidade, seja qual for a justificativa (pressão financeira, medo de perder o emprego, o marido, o amigo), ainda terá o mesmo significado: medo. O medo e a baixa auto-estima converte-nos em refém dessas inteligências tão odiosamente perspicazes.

Inteligências perspicazes são responsáveis, também, por aplicar os velhos golpes conhecidos popularmente como "conto do vigário"; ou, modernamente, estelionato. E continuam a fazer vítimas, apesar dos ardís tão manjados.

E todos sabemos porquê. Apesar da repetição do método, que consiste, simplesmente, em convencer a vítima potencial de que acaba de encontrar a sorte grande, de fazê-la acreditar que o negócio é vantajoso com pouco esforço... E a simbiose se estabelece entre aquele que, de fato, levará vantagem e aquele que pensa que lucrará às custas de suposta vulnerabilidade do  vigarista.

Digamos que, praticamente, fazemos por merecer certas situações.

Assim, também, na política. Então, quando se diz que "cada povo tem o governo que merece", nada mas correto: um povo pronto para relevar a corrupção, tem um desfile de fichas-suja no horário eleitoral.

Felizmente, esses males do caráter admitem tratamento preventivo: a educação de qualidade é excelente antídoto.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fiéis ou eleitores?

Toda unanimidade é burrra. A afirmação é discutível pois a discórdia também pode ser manifestação de burrrice.

Mal iniciado o horário político e as pesquisas já anunciam que a eleição será decidida no 1º turno. Aí está uma situação em que, não fosse a quase unanimadade em torno do atual Presidente, teríamos o debate de idéias discordantes, não necessariamente sintoma de burrice.

Essa unanimidade, quando sofremos na própria pele os resultados da má gestão em saúde, educação, segurança e transporte, não é, exatamente, sinal de inteligência mas de uma enorme preguiça.

Parece que a sociedade se comporta como uma platéia de fiéis, sedenta por crer, por depositar aos pés de um ídolo todas as suas expectativas. Até a oposição se "converteu" e colabora com essa espécie de igreja lulista. Triste de assistir. Arrisco um diagnóstico: é um sintoma dessa doença que grassa entre nós,  onde muitos esperam obter emprego, prosperidade, saúde como benesse, trocando favores com o Altíssimo. Ofendem a Deus, ofendem a si mesmos e ainda esperam alcançar a vida eterna.

A educação, profilática, é capaz de prevenir essa doença.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eu tenho certeza! E você, se acha?

Hoje pela manhã, tentei escandalizar o meu colega de trabalho abusando da sinceridade: Eu não me acho, eu tenho certeza.

Um mínimo de autoconfiança e de autoestima  é necessário para levar adiante qualquer empreitada. Autoconfiança e autoestima não estão disponíveis em pacotes oferecidos pelas academias que tentam vender saúde; ou nos enxertos de silicone disponíveis em consultórios de cirurgiões comprometidos com metas elevadas de faturamento.

Siliconados e malhados se acham, apenas se acham. E que me perdoem pela generalização, trata-se de um recurso literário para conferir força ao texto. Mas, que se acham, se acham.

Pessoas que se acham  costumam ser arrogantes, um poço de empáfias, vestem-se de vaidades e de artificialidades e parecem acreditar que é bonito ser feio! Feio, sim. Nada mais rídiculo, na face da terra, do que a pessoa que se acha. Apesar de suas vestes de marca, seus carros de luxo... São, quase sempre, patéticas.

Quem tem certeza, tem, também simplicidade e humildade. Dispensa discursos vazios e nariz empinado. A certeza é construída, conquistada, pelo empenho, pela dedicação com que se vai à luta na realização das próprias obrigações, seja qual for o ofício. A certeza passa pela boa educação e não admite falsas modéstias. Se eu sei, preciso demonstrar fazendo o melhor que posso, sem submissão aos "siliconados" e "malhados". Para esses, quem tem certeza reserva uma boa dose de misericórdia e de paciência.

Quem tem certeza, precisa liderar, não pode se submeter à arrogância dos ignorantes a pretexto de ser humilde.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Políticos mentirosos são psicopatas

Quando a cabeça não pensa o corpo padece...O dito popular, de sabedoria inquestionável, é pouco aplicado.

O que extrapola o âmbito físico, visível, palpável, costuma ser tratado com menosprezo... No entanto, é justamente esse universo invisível que permeia todo o nosso cotidiano, tudo o que realizamos. As emoções e os pensamentos são ditadores que decidem, à nossa revelia, quanto mais os ignoremos.

Um assassinato, ou genocídio, começa em um sentimento de insatisfação que martela o pensamento do futuro assassino, dia após dia. Grandes realizações, igualmente, nascem de um sentimento de um único indivíduo que persiste até materializar seu plano.

Então, deveríamos dar atenção ao que somos, efetivamente, não somente ao que parecemos ser. No entanto, podemos admitir que o cidadão comum, levado pelo imperativo de satisfazer necessidades básicas, não perca tempo em auto-críticas e auto-conhecimento. Mas, no âmbito dos governos, em que a meta é atender a coletividade, o imperativo é que se busque lidar com o imponderável para identificar, a tempo, cidadãos que, do alto de seus postos públicos, ditam regras de conduta para os demais, apesar de manifesto comportamento incompatível com o convívio social.

E o cidadão, desamparado, incrédulo, assiste o espetáculo da degradação dessas criaturas, desses arremedos de políticos, desses pseudo-dirigentes revestidos de todo o poder, usufruindo ampla imunidade... Nos remetem aos dias passados em que o imperador romano, Calígula, nomeou um cavalo como Senador.

No dias presentes, questionamos os laudos psiquiátricos que colocam assassinos em liberdade... E quanto aos que saqueiam os cofres públlicos e inviabilizam a efetividade de ações dirigidas ao bem estar coletivo? Quem atesta a capacidade mental desses criminosos, verdadeiros psicopatas que fingem, maquinam na maior naturalidade? Seriam, mentalmente, mais capazes que o cavalo de Calígula?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Tudo me é lícito mas nem tudo me convém..."

Há dois anos não posto neste espaço. Muitos impedimentos acabaram me tornando pirracenta: ah, é assim? Tá difícil? Tô desistindo e não estou enfurecida, não vou me aborrecer, não vou reclamar da falta de tempo.

Falta de assunto? Nunca. Mas, se escrevemos por prazer, há, também, a esperança de compartilhar. Terei leitores nesse universo de milhares e milhares? Tantas pessoas escrevem, melhor e de forma mais completa, sobre o tema que escolhi...

E, enquanto pirraço e divago, os dias e semanas viajam, velozmente, e lá se vão dois anos de ausência. Os amigos que me privilegiavam com sua atenção, devem ter imaginado: adoeceu, viajou para o outro plano(morreu)?

Gosto dos temas ligados à espiritualidade, à educação; creio no poder da mente sobre o corpo e do espírito sobre a mente, creio na existência de um Plano Divino que rege a vida para o qual todos despertaremos, quanto antes melhor. Quanto antes melhor? Então, façamos uma pequena, humilde parte, testemunhando a favor de ideais mais humanos, mais próximos das Verdades Eternas, especialmente, em momento de campanha eleitoral, quando temos o desprazer de assistir o cinismo dos políticos à solta, afirmando inocência quando se sabem culpados.

Tomemos cuidado pois há uma doença contagiosa se propagando, perigosamente: apregoam-se mentiras deslavadas e usam como desculpa a defesa do bem estar do povo. Ou seja, mentir, trapacear, desviar recursos públicos, pode ser aceitável quando se busca um fim justo?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Apanhando se aprende?

Estamos em contínuo aprendizado, um aprendizado nada fácil, onde os melhores frutos são colhidos após grandes desastres, como se as lágrimas derramadas fossem o mais eficiente dos adubos.

Tudo seria, infinitamente, melhor se a humanidade acreditasse, definitivamente, no valor da educação. Ao invés de aprender apanhando e de, tolamente, seguir à risca o velho método tentativa e erro, precisamos estudar mil vezes mais, conhecer melhor a natureza humana e o ambiente do qual somos totalmente dependentes. E repassar o conhecimento, sempre e continuamente.

Vivemos às avessas, sempre correndo atrás do tempo perdido e de reparar, a cada dia, o erro cometido ontem. Hoje, depois de estarmos doentes e obesos, soubemos que açúcar é prejudicial e que, em curto prazo, será fatal, combinado com carboidratos em tortas saturadas de gordura; que refrigerantes viciam e que, quanto menos comer e quanto mais meditar, se viverá com maior qualidade. Mas, quantos de nós sabemos? Uns poucos, os demais, continuarão a se envenenar, a sobrecarregar o sistema de saúde e se tornarão, a cada dia, menos produtivos e mais infelizes.

Depois de havermos devastado e poluído, descobrimos que boa parte dos danos provocados são irreparáveis e que, muito em breve, estaremos pagando o preço desses erros com escassez de alimentos, doenças e desordens climáticas.

Depois de havermos fechado os olhos para a miséria e a desigualdade, assistimos, perplexos, a violência das periferias das grandes metrópoles alcançar os guetos abastados... Sim, os bairros de classe média alta converteram-se em guetos, cercados de periferia por todos os lados, sem blindex, sem escudos suficientes...

Depois que conquistas tecnológicas fizeram, dos dias presentes, cenários dignos dos mais delirantes filmes de ficção científica, vivemos um paradoxo: quando o assunto é educação, ou o cenário é o do século passado, ou remete a filmes de ficção que retratam o pior dos futuros, com destruição e o retorno à selvageria.

Hoje, aqui no DF alunos incendiaram a sala de professores de uma escola pública, na cidade satélite do Gama, conforme noticiado no DF-TV, da Rede Globo:

"Fogo destrói livros e materiais de professores
Foram encontrados fósforos riscados no local. A polícia desconfia de um aluno.
O autor do atentado ameaçou por telefone. Depois, cumpriu a ameaça. A sala dos professores do Centro de Ensino Fundamental Nº 5, no Gama, foi incendiada nessa segunda-feira (15). O fogo queimou livros e materiais de trabalho. Os funcionários da escola disseram que havia fósforos riscados pelo chão, confirmando o atentado. A polícia já desconfia de um aluno."

Na 2ª Edição de ontem, 15/12, a notícia não era menos assombrosa:
"Menor é esfaqueado no Itapoã.Na escola pública da cidade, um aluno foi esfaqueado dentro da sala de aula. Agressor tentou fugir, mas foi pego pelos estudantes.
O dia era de confraternização de Natal no Centro de Ensino Fundamental Nº 1 do Itapoã. Mas a festa nem chegou a acontecer. Uma tentativa de homicídio fechou a escola."

Apanhando sem aprender!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Jovens precisam de heróis. Que heróis lhes apresentaremos?

Bons exemplos, capazes de orientar e incentivar os jovens, não faltam em biografias de pessoas notáveis. E, também, no feito de pessoas comuns que, vez por outra, viram manchetes nos jornais, tamanha a coragem e a força de vontade que ostentam. Na trajetória dessas pessoas, estão presentes o esforço e o empenho pessoal, algo que não é valorizado, e sequer apresentado, aos jovens e crianças.

Os heróis das aulas de História, da maneira como construídos na maioria dos livros, não são capazes de atrair admiração, figuras distantes da realidade, personagens de um cenário político, sempre complexo e que escapa à compreensão da maioria dos adultos, que dirá dos jovens. Já os grandes inventores, os grandes artistas e escritores, tem histórias de vida muito mais atraentes, muito mais próximas do cotidiano das pessoas comuns. Até porque, muitos morreram longe dos holofotes do poder, embora o seu papel político seja ainda mais relevante que o dos próprios políticos. Não fosse o inventor do telefone, onde estaríamos, agora, nós e os políticos?

A trajetória humana tem, de sobra, amostra de personalidades dignas de admiração e respeito que deveriam ser cultuadas, fazer parte do imaginário de todos como ideais a serem alcançados.

E o que temos de efetivo? As celebridades da TV e os bandidos travestidos de heróis que, nas comunidades pobres, onde reside boa parcela da população jovem brasileira, são os únicos ídolos imitados. Do outro lado, estão as “novas igrejas” que, ao invés de rebater essa tendência apelando ao que de melhor existe nas pessoas, parece explorar essa negatividade, buscando transferir para a figura de um “Jesus de ocasião”, a sede de adoração que é tão comum aos jovens.

Um Jesus moldado para catalisar essa sede de idolatria, apresentado como centro de tudo, a partir do qual tudo emanaria, muito distante, portando, do Jesus revelado pelas escrituras bíblicas já que, no "modelo" perpetrado, o esforço individual conta menos que o credo a que se aderiu, o que se mostra totalmente inverso à história de Jesus!

“Buscai o reino dos céus em primeiro lugar, e tudo vos virá por acréscimo.” O que significaria, exatamente, essas palavras? Frequentar o templo diariamente, ouvir os sermões, pagar o dízimo, ser submisso à palavra proferida por quem está a frente da platéia de crentes?

Pratica-se uma espécie de charlatanismo sob os olhos de um Estado que se acha tolhido pelo princípio constitucional da “liberdade de credo”. Mas, se esse mesmo Estado proporcionasse aos seus cidadãos educação decente, todos estariam em condições de repudiar, livremente, qualquer discurso que não apelasse ao raciocínio e à inteligência; de rejeitar “ídolos de pés de barro”; e de buscar identificação com seres humanos que honraram a humanidade com seus feitos para seguir-lhes o exemplo e não para esperar por benesses. E o Exército de submissos a tolices se reduziria aos preguiçosos, àqueles que preferem acreditar que tudo cairá do céu.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

E, que tal uma fé desinteressada?

Uma fé verdadeira e desinteressada seria muito útil nesses dias de “toma lá dá cá”. Crer, não pela promessa de um dia vindouro, mas pela vida da qual já se desfruta, agora. O dom de viver pertence a qualquer um que nasceu, concedido pelo Criador que nada pediu em troca. Esse é um motivo suficiente para crer, para ser e fazer o melhor da própria vida.

Mas não é esse o tipo de motivação explorada pela educação. O hábito de se oferecer uma recompensa, a quem cumpre com suas obrigações, começa em casa, quando os pais premiam ou castigam para estimular comportamentos desejados. Poderíamos, desde cedo, ser conduzidos a perceber que nossos melhores desafios e recompensas são conquistados em nosso íntimo, quando vencemos a nossas próprias limitações.

Nos dias presentes, muitos escolheram atribuir a forças externas todo o poder de realização que deveriam cultivar em si. Afirmam conseguir emprego, boa saúde, passar em vestibular e em concursos, manter os filhos a salvo das drogas, de gravidez precoce, etc, tudo por “intervenção divina”. E a divindade lhes concede todas as benesses por freqüentarem e trabalharem para essa ou aquela igreja, de preferência sem descuidar dos dízimos. Se, de repente, se afastam...Cuidado, a vida pode degringolar. Então, para esse grupo cada vez mais numeroso de pessoas, há muito pouco o que se fazer “aqui fora” ou, melhor dizendo, dentro de si mesmos.

Quando buscamos em nós, somos mais compassivos porque passamos a enxergar melhor nossas próprias fraquezas. Os fiéis das "igrejas", induzidos a crer que fazem jus à prosperidade e que estão a salvo por estarem em certos templos, tendem a repudiar os que professem outra fé: caminham, exatamente, na contra-mão dos princípios cristãos e por vezes, com extrema crueldade, atribuem a desgraça alheia à prática de outros credos. “Se a vossa justiça não ultrapassar a dos fariseus, não entrareis no reino dos céus”, eis a simplicidade dessa sentença, em que Jesus informa que a verdadeira justiça é a misericórdia.

As novas igrejas fazem tudo parecer muito fácil, basta dar o dízimo, freqüentar reuniões, entoar cânticos de feições cada dia mais profana: é o funk de Jesus, é o axé do Senhor... músicas melosas semelhantes às baladas românticas que se escuta em qualquer parada de sucessos. Fazem um triste e ridículo arremedo das diversões que, aqui fora, atraem os jovens; organizam grupos com diferentes níveis de poder, em que se pode ascender a hierarquias mais elevadas levando a competição, a intriga e a inveja para o seio das igrejas!

Os jovens atraídos precisariam, antes de qualquer coisa, melhorar seu nível educacional para entender o real sentido de justiça, de misericórdia, de tolerância... E veriam, de imediato, que nada é tão fácil, que tudo custa um enorme esforço individual e que, mais do que se sacudir cantando o funk do Senhor, o necessário é estudar muito, ler bons livros, ouvir boa música... Sem se submeter ao crivo desta ou dela igreja que pretende, na verdade, dominar e manipular para ter o controle de uma multidão, cada vez mais numerosa, de pessoas crédulas que atribuem o próprio sucesso ou fracasso a causas externas, que se sentem prisioneiras e que receiam afastar-se e perder o que acreditam haver conquistado por intervenção da igreja.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Conservadores x revolucionários

Uma boa dose de tradição e conservadorismo é essencial ao progresso. Afinal, qualquer progresso se sustenta em um passado, onde, um dia, as novas idéias tiveram seu despertar. Não fossem os tradicionalistas, os revolucionários estariam “derrubando a casa” para começar do zero, desprezando a etapa que faz a ponte, onde se incorpora, e testa, gradativamente, as novidades. Os conservadores, quando seguram os revolucionários, são responsáveis pela transição entre o novo e o velho. Enfim, todos são úteis, cada um em seu papel, aparentemente antagônico mas, na verdade, de natureza complementar.

No que diz respeito à escola, que tem por clientela, exatamente, aquele grupo que pretende “derrubar a casa”, esse antagonismo poderia estar sendo deliberadamente explorado. No passado, tentativas de manifestação de jovens e crianças eram prontamente reprimidas; crianças e jovens eram proibidos de ter opinião e qualquer atitude nesse sentido era tida como desrespeito aos mais velhos. Os mais velhos pareciam enxergar os jovens como uma potencial ameaça.

Hoje, quando a vida nos grandes centros reúne multidões, quando conviver e sobreviver apresenta-se como um constante desafio, não faria o menor sentido reprimir jovens, condená-los ao silêncio, fazê-los repetidores decorebas do conhecimento passado, considerar errada qualquer resposta que se afaste de um entendimento mais tradicional de questões que, na realidade, sempre mereceram abordagens mais amplas.

Muito se fala das novas gerações de crianças e jovens como se fossem criaturas talhadas para a delinqüência. Na medida em que os vemos, repetidamente, protagonizando deploráveis cenas de violência, todos deveríamos entender que, se erros monumentais existem, não resultam da genética dessa geração. Não se trata de predestinação, mas de omissão e abandono. Relembrar, saudosamente, o passado quando ficávamos de pé, a cada novo período de aula, para reverenciar o professor, para nada se presta. O modelo passado não serve ao presente.

Na matéria publicada, há duas semanas, pelo Correio Braziliense sobre os jovens no Orkut, há uma história curiosa, certamente emblemática da realidade que vivermos: a mãe proibiu o filho de usar o Orkut; a criança, espertamente, retém parte do troco quando vai à rua, atendendo ao mandado da mãe, e paga o uso da lan house. Ora, as crianças das gerações que recebiam o professor de pé, brincavam de subir em árvores, de correr, soltar pipa... Dá para comparar, dá para invocar a “saudosa” para alguns, “pedagogia da porrada”?

A par das escolas mal instrumentadas, temos as “novas” igrejas, plantadas em comunidades carentes. Essas igrejas, gozando da estima e da confiança da família, poderiam ser de grande ajuda no desenvolvimento de valores verdadeiros. Mas não são. Conservadoras, são a expressão do atraso, prometendo céu e inferno em futuro distante, confundindo castidade com um tipo de virtude, atribuindo a forças externas (o demônio) a responsabilidade pelas fraquezas e vícios dos fiéis. E, infelizmente, nessas “novas” igrejas, parece não existir um mínimo da tradição mais saudável das igrejas "antigas": integridade e fé verdadeira e desinteressada.

O que temos, então? Mal educados deseducam e todos pagamos o pato.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Vendendo imagem no Orkut: um palco de disputas

Logo que me cadastrei no Orkut, estranhei o modo como as pessoas se exibiam com fotos e frases do tipo “esta é minha casa de praia, este é o meu carro... As mulheres, e também as garotas, costumam se identificar com adendos ao pré-nome, qualificando-se como lindinhas e etc. As vezes, postam fotos em poses sensuais; tudo de uma pobreza surpreendente, deprimente e que faz lembrar os anúncios em que as profissionais do sexo se ofereciam nos classificados dos jornais (e, agora, também na internet). As profissionais vendem seus serviços; é normal. Quanto as outras, e outros, por que vender uma “imagem”?

Meninos freqüentam a academia para exibir tanquinhos e bíceps; meninas, além da academia, quando podem aplicam silicone, fazem escova progressiva... Imitam o que de mais decadente há, no mundo dos adultos, imitam o que de mais decadente há, no mundo dos mais ricos, das celebridades. E, pela construção dessa imagem, se estapeiam, cada qual em busca de sustentar um ego malformado.

Tudo isto é de um ridículo atroz e, se não tem correção, quem sabe não seria pelo fato de, no fundo, os mais velhos estarem compartilhando dessa trágica comédia. Ou será que os pais não percebem a competição exacerbada em que seus filhos estão mergulhados? Os pais fomentam quando compram itens da moda para serem exibidos e quando não esclarecem que incitar a inveja do próximo, além de tolo, pode ser perigoso.

E, depois, os jovens é que são “culpados”, eles é que são rotulados como se já nascessem problemáticos...

Ainda hoje, lendo o “O Globo”, soube que em uma instituição que abriga menores infratores, em Maceió, a Justiça proibiu o uso de roupas de marca, aparelhos de som e consumo de cigarro. O motivo: bens pessoais geram disputas “...um quer ter o que o outro tem...”. Será que esse problema é exclusivo de abrigos para menores?

Nas brigas entre meninas, a motivação, na maioria das vezes, é um menino que olhou ou foi olhado pela “outra”, uma rival potencial ou suposta. Tudo isto, em tenra faixa etária, antes, ainda, dos 18 anos. Nas comunidades de escolas, mantidas por alunos, é freqüente a promoção de fóruns do tipo “quem é a mais ...”

Foi matéria de capa, no “Correio Braziliense” do último domingo, o uso do Orkut, por jovens, e as repercussões no âmbito escolar. Uma Diretora, segundo a matéria, teve a feliz iniciativa de também cadastrar um perfil para monitorar os alunos. Não gostou do que viu e convocou os pais para um encontro. Uma das mães, surpresa, afirmou que seu filho sequer sabia mexer na Internet (tem mãe que é cega).

É evidente que a ação isolada de uma diretoria, ainda que bem intencionada, não será suficiente. O lamentável é que, até o momento, não há noticias de ações articuladas do poder público para enfrentar a questão.

Investir nas escolas é indispensável, mas não o mero investimento financeiro. O fundamental é colocar a educação no centro das discussões, é identificar soluções novas para uma nova realidade que muito pouco lembra o que existia há menos de 20 anos.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Filho de peixe, peixinho é?

Pesquisas empreendidas por órgãos governamentais vem revelando a repercussão que tem a educação da mulher na saúde da família: mães mais bem educadas, filhos mais saudáveis. E, também no rendimento escolar dos jovens estudantes, essa equação se manifesta de modo que os filhos das classes mais pobres sempre estão em desvantagem.

É mais ou menos como aquele dito popular, “filho de peixe, peixinho é.”. Dependemos totalmente de nossos pais, e não somente nos primeiros anos de vida. Qualquer um de nós pode dar testemunho a esse respeito.

Quando contemplo o passado com o distanciamento que os meus 60 anos permitem, ou quando pequenos atos da vida presente me trazem reminiscências da infância, relembro os ensinamentos recebidos. Dificilmente transcorrem 24 horas sem que eu me veja repetindo: meu pai dizia que ...aprendi com meu pai que... minha mãe fazia assim... minha mãe não gostava de... E, a cada dia, me dou conta de que, com eles, aprendi quase tudo.

Nem todos, porém tiveram, ou tem, a mesma sorte. Com ou sem sorte, o que fica evidente é a poderosa influência da educação e as severas conseqüências de sua falta.

Aprendemos, com as mais variadas religiões, que somos seres dotados de alma, criados para uma vida que se estenderá após a morte do corpo físico. Mas o fato é que um grau maior ou menor de consciência quanto aos valores da civilização, quanto a ideais de paz e de fraternidade depende do quanto se tenha assimilado da educação recebida. Mesmo o sentimento de ser, realmente, dotado de uma alma, de existir além do corpo físico, vai depender dessa educação, do grau de refinamento adquirido por meio da educação.

O ser humano precisa ser ensinado para que possa descobrir a si próprio, explorar seus talentos e administrar suas vulnerabilidades, seus defeitos. A partir de uma base familiar suficientemente estável, podemos desenvolver um grau de auto-estima que nos sustentará pela vida afora, que nos permitirá acreditar na possibilidade de realizar desejos e sonhos.

Esses jovens que depredam, que agridem e matam, não tem sonhos, não se importam com o amanhã, acreditam que nada tem a perder. Essa crença, de nada ter a perder, está na raiz de qualquer ato de violência, principalmente dos jovens. O gosto pela aventura e pelo perigo, o baixo instinto de preservação que é natural nas primeiras etapas da vida, se associa a essa “crença”.

Essa galera, quando sonha, sonha limitado, sonhos de consumo ditados pelas propagandas do horário nobre da TV. E reproduzem o comportamento de adultos competitivos que andam por ai, se medindo pelo vestuário, pelo tamanho de bunda, peito e bíceps, pelos padrões consumistas do nosso tempo.

Por que essa turma parece não ter a menor auto-estima? Por que não conseguem se enxergar além dos limites do corpo, além das aparências? Onde teriam ficado os pais e a escola na transmissão de valores mais saudáveis? Parece que fincamos os pés em um círculo vicioso onde mal educados deseducam...Deseducados mal educam...

domingo, 16 de novembro de 2008

Uma rotina de violência substitui a rotina de estudos

A violência nas escolas virou rotina. Assistimos, na TV, como capítulos de uma novela em que o autor, decidido a conquistar picos de audiência, buscasse surpreender a platéia com cenas cada vez mais impactantes.

Quem diria, a escola, antes um “lugar seguro” em que alunos obedientes à palmatória e a outros castigos humilhantes, pouco ousavam levantar a voz, ainda que o objetivo fosse o de indagar para compreender...

Os métodos antigos funcionaram e, ainda que o preço tenha sido o trauma de muitos, a ordem era mantida. É fácil garantir a obediência e o respeito com a intimidação. O difícil é formar, com esse método, pessoas criativas que pensem com liberdade.

Agora, abolidos os castigos físicos e a intimidação, falta encontrar o caminho capaz de levar crianças e adolescentes a respeitar a escola, os professores, os colegas, a família. No noticiário acerca do episódio na escola de São Paulo, em que os professores se trancaram para se proteger, chamou a minha atenção uma das medidas adotadas, a expulsão, a título de castigo. Sempre estranhei esse “instrumento pedagógico” que consiste, simplesmente, em repassar o problema.

O que falta, de verdade, é dedicar ao tema a atenção merecida. Afinal, entre tantos profissionais da educação, muitos hão de ter belas idéias capazes de reverter esse quadro. Lamentavelmente, a educação é relegada a quinto plano e as escolas públicas estão a um passo do “quinto dos infernos”.

O que não é razoável é se acreditar que a disciplina e o interesse serão alcançados quando são mantidos, nas escolas, os mesmos padrões do século passado, isto após terem sido abolidos os velhos instrumentos de coerção.

Nesta semana, visitei uma escola de 1ª a 6ª e me surpreendi com uma cena bastante lamentável. Uma aluna de cerca de 13 anos se debatia com sintomas cardíacos, estirada em um sofá quebrado, rasgado, na sala da recepção da escola. Eu entrei em busca de informação e lá estava a jovem, exposta, em flagrante desrespeito ao seu direito a um atendimento em espaço reservado , enquanto aguardava o socorro médico.

Uma escola situada em área nobre de Brasília, em plena Asa Sul, sequer dispõe de uma sala para emergências. E na periferia, como será?

Mais um exemplo de violência, em escola do DF, no Blog do Luis Hipólito, do Correio Braziliense.