quinta-feira, 15 de março de 2012

Amor...

Postando este Blog desde 2006, sempre com pouquíssimos acessos, acho surpreendente que um único post, escrito em 2008, tenha ultrapassado os 300 acessos. Talvez porque contenha palavras que são motivadoras de pesquisas, no google: amor, dopamina, serotonina. Ou, quem sabe, passei alguma mensagem interessante.

Na dúvida, republico; meus atuais "cinco" leitores merecem conhecer esse best rrrrrrrrrrrrsssssssss
E tem tudo a ver com as duas postagens anteriores. O título do "best", bastante óbvio, é o chamariz:

Amor, serotonina, dopamina

Sinto-me bastante perplexa com a facilidade com que muitos de nós classificam seus distúrbios de personalidade, ou seus instintos biológicos, com uma única palavra, que não faz parte da terminologia médica, mas que, no dicionário, é descrita como um substantivo abstrato utilizado para designar o “mais nobre dos sentimentos”, o amor.

Eu ando bastante enojada do “amor”.

O “amor de mãe”, ultimamente, tem feito muitas vítimas entre criaturas que mal chegaram ao mundo. E a culpa de tudo é do tal do “amor romântico”. Se as mulheres enxergassem a realidade da sua condição, pensariam 1000 vezes antes de se “apaixonar”. Apaixonar-se, para muitas, equivale a negligenciar a si mesma, aos seus planos a ponto de deixar de se proteger para evitar uma gravidez indesejada, uma doença, ou ambas as situações.

A desculpa do “amor” se presta a toda sorte de mesquinharias; trai-se por amor, abandona-se por amor, deixa-se de lado responsabilidades e compromissos por amor... mata-se por amor.
Essa espécie de amor deveria ser repelida, condenada tanto quanto o ódio e outros sentimentos de que não nos orgulhamos. Mas é difícil distinguir; estamos por demais habituados a alimentar nossas vidas com esse mito que criamos em torno do “amor”. A tal ponto que muitos afirmam que precisam “amar” sempre para se sentirem vivos. Mas a que espécie de amor estariam se referindo essas pessoas? Talvez o que falte a elas seja, somente, algum componente da química cerebral responsável pela sensação de felicidade e bem-estar: serotonina, dopamina...nada que a Medicina moderna não possa resolver.

terça-feira, 13 de março de 2012

Yes, we can (Desde que não sejamos "coisificáveis").

Sobre homens que não amam as mulheres, ou mulheres que não amam a si mesmas, a crônica policial é a evidência, todos os dias, em toda parte... monstruosidades são perpetradas e executadas...  Por que tanto ódio?  

Agora, que as mulheres iniciam um processo de ascensão, ombro a ombro com os homens, precisam aproveitar o poder de que já desfrutam e mobilizar esforços para encontrar e remover as causas de tanta violência contra o ser feminino. Psicólogas, psiquiatras, educadoras, professoras, sociólogas...Estudem, pesquisem, investiguem... Mulheres em geral,  e homens que amam as mulheres, protestem!

Mesmo mentes patológicas estariam sob controle se o contexto fosse menos hostil às mulheres.

Se o poder da educação sobre o comportamento das pessoas é indiscutível, as mensagens publicitárias que convertem a mulher em objeto, também são poderosas influências. A publicidade utiliza o corpo feminino como um mero instrumento, associado ao consumo de produtos de toda a categoria. A mulher é desqualificada nessa propaganda, destituída de sua individualidade e humanidade.

Recentemente, a  nomeação de Graça Foster para a Presidência da PETROBRAS, deu origem a vários comentários e piadas desrespeitosas, na Imprensa, sobre a falta de beleza dela. Quando a mulher é bonita e ascende a um posto importante, logo é chamada de "musa"... É uma afronta. E há um problema com as próprias mulheres pois algumas (Ou muitas?) incitam esse comportamento, sentem-se envaidecidas e não percebem que o  preço a pagar por se deixar "coisificar" é  muito caro.

E que categoria de mãe seriam essas mulheres "coisificáveis"?  Como estariam educando seus filhos?

domingo, 4 de março de 2012

Homens que não amam as mulheres; mulheres que não amam a si próprias

De espanto em espanto, de surpresa em surpresa, felizmente ainda me importo, ainda me revolto, não acho tudo normal, natural, apesar das seis décadas vividas...

E, me assombro com o relato da jornalista Ruth de Aquino, publicado na Revista Época deste domingo, sobre os ataques virtuais sofridos pela publicitária Renata Gervatauskas que, simplesmente, exerceu o direito da livre expressão e postou, no blog da Revista, artigo sobre tema do universo feminino. Ela disse: "A gente ainda confunde o instinto materno com a obrigação de cuidar sozinha das crias."

E conseguiu provocar reações masculinas furiosas... Impressionante!

O sugestivo título do artigo de Ruth,  Os homens que não amam as mulheres... (em alusão ao livro e ao filme "Os homens que não amavam as mulheres") me faz pensar que muitas mulheres, que não amam a si próprias suficientemente,  estão alimentando esse odioso comportamento masculino, ainda que involuntariamente. Muitas não vivem para si próprias, vivem para agradar, conquistar, seduzir a platéia masculina, são despersonalizadas, não tem um verdadeiro projeto pessoal. O projeto pessoal delas consiste em ter alguma autonomia financeira para investir na aparência física para agradar um futuro parceiro...

Essas são as inimigas do feminismo, tanto quanto são os homens que não suportam uma mulher que cobre respeito no relacionamento ou que ouse, a qualquer momento, jogar tudo para o alto e partir para outra, simplesmente porque decidiu que não quer mais dividir a vida com aquele parceiro desrespeitoso.

Há cerca de um ano, quando as notícias sobre o desaparecimento de Elisa Salmúdio (ex do goleiro Bruno) inundavam as páginas da Internet e dos jornais, eu me enojei com comentários postados por homens e mulheres que, classificando a morta (?) de prostituta, tentavam justificar os atos odiosos que teriam sido praticados contra ela.

Basta percorrer os comentários postados em noticiários de assassinatos de mulheres por seus ex, lá estará o ódio explicito de homens que se identificam, acham que foi merecido, o castigo... E, lamentavelmente, há mulheres que compartilham...De piranha à vagabunda, são os adjetivos com que se referem às vítimas.  

sábado, 28 de janeiro de 2012

Contudo...

Continua lindo mas... todavia, contudo, porém e outras adversativas...
O mundo pode ser uma bola mas não está com essa bola toda, pelo menos desse lado de cá, nesse território que identificamos como "país do futebol".

Navego por aí e me assombro com o ódio que namorados, noivos, maridos, amantes, nutrem por suas ex-mulheres...E, me assombro com a covardia de pais e outros familiares contra crianças indefesas. As notícias não são boas e a Internet (os jornais, a TV, etc., e etc.) apesar da alegria ensandecida do carnaval, é um mostruário, uma vitrine de horror, de selvageria que não deveria acometer pessoas ditas civilizadas.

Ai, que desânimo, que país é esse?

Mas, tem solução, em curto prazo, bastaria extinguir todos os privilégios e imunidades da classe política a fim de expurgar, desse contexto, todos aqueles que buscam o exercício do poder para a contemplação do próprio umbigo.

Enquanto políticos estão em auto-contemplação, criminosos estão à solta, a educação, em baixa e o caós impera no sistema de saúde.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Feliz ano novo: o mundo mudou para melhor, apesar das más notícias...

O mundo continua lindo!  



As pessoas que, como eu, tem no currículo algumas décadas, frequentemente, iniciam diálogos com a frase "No meu tempo...", enquanto aludem ao que seriam as desvantagens dos dias presentes. E essas desvantagens, quase sempre, estão situadas no campo da moral e da ética.

Além de testemunha dos famosos "bons tempos", todos os que estudaram um pouco mais sabem que a realidade sempre foi dura para os mais pobres, para os mais fracos e para as minorias.

Se não rejeitaram todo o conteúdo de História do Brasil e de História Geral, ministrados no extinto Curso Primário e Ginasial, souberam que a ausência de direitos era a regra, que a tortura era uma prática, que a escravidão era normal já que categorias inteiras de criaturas, tidas por inferiores, ou perdedoras, eram subjugadas pelas nações e grupos mais fortes.

Os que lêem a bíblia sabem que a nação de Israel foi escravizada, ao longo da história, por diversos povos. Mas, dentre esses, a maioria enxerga a questão apenas em sua dimensão religiosa e sequer imagina que a escravidão era uma prática comum, um dos frutos da crueldade humana. Quando assistem, na TV,  notícias sobre o combate ao trabalho escravo,  sobre o tráfico de mulheres e de seres humanos em geral, provavelmente se espantam atribuindo esse fato a sintoma de uma doença do mundo moderno.

As atrocidades cometidas, no presente, em nome de religiões não superam às práticas passadas, em covardia, crueldade e dimensão. Basta lembrar a dizimação da cultura indigena e africana, imposta pela Igreja Católica no continente sul americano. Ou as fogueiras da inquisição, na Idade Média. Ou a prática da lapidação e da crucificação, que muitos ignoram  mas era um castigo corriqueiro.

E o assassinato em família? Era comum. Hoje, quando o noticiário nos defronta com filhos que  matam pais ou irmãos, ou a família toda, por herança, nos escandalizamos. E não é para menos. Mas é um erro acreditar que esse é um mal do mundo moderno. Muito pelo contrário, era um crime frequente em famílias em que se disputava o poder de governar.

E quanto ao mundo da política? Pobres e mulheres não votavam. O voto era restrito a homens que comprovassem uma certa renda... Então, é importante cultivar um otimismo inteligente e apostar em dias melhores sem se deixar contaminar pelo festival de más notícias.



sábado, 10 de dezembro de 2011

Acarajé ou "bolinho de Cristo"? Conversão ou subversão?


Encerrei uma postagem (de 28/11) com uma crítica aos advogados do setor público; e às denominadas "medidas protelatórias" que adiam, indefinidamente, o desfecho de milhares de ações, impedindo, na prática, que os reclamantes tenham efetivo acesso à Justiça. A questão é que o advogado do setor público acaba funcionando como o advogado criminal que, mesmo sabendo que seu cliente é culpado, busca artifícios de modo a inocentá-lo, ou de modo a adiar a aplicação da pena.

O que restaria àqueles que buscam reparação pelos danos sofridos? Esperar pela Justiça Divina?
Não é correto atribuir a Deus a administração das coisas deste mundo. O resultado das ações humanas, boas ou más, precisa ser creditado aos próprios humanos. Melhorar o que não é satisfatório depende de cada um. E de muito investimento em educação de qualidade. A que temos, a julgar pelas últimas avaliações do MEC, é péssima. E todos enfrentamos as consequências dessa precariedade, expostas de maneira bastante dramática, desde auxiliares de enfermagem que provocam a morte de pacientes, por erros grosseiros, a motoristas bêbados que matam, e às vezes morrem, no trânsito.

Se a educação vai mal, igrejas que se dizem "de Deus", ou "de Cristo" poderiam, pelo menos, não explorar a ignorância do povo. Lamentavelmente, há igrejas zombando, debochando de fiéis menos inteligentes e mais desamparados: em Salvador-BA, uma subversão se instalou e baianas do acarajé, assim conhecidas, justamente, por vender a iguaria que seus ancestrais trouxeram da África, estão rebatizando o acarajé de "bolinho de Jesus", ou "bolinho de Cristo".  Existiria situação mais ridícula? Parece brincadeira mas, infelizmente, não é.

É que as baianas, convertidas a igrejas evangélicas, são induzidas a abandonar seus trajes, seus colares, e, até,  a rebatizar a iguaria cuja tradição tem origem no Candomblé, há mais de trezentos anos . Um povo que rejeita a própria cultura, que destrói imagens e adereços de outros cultos, onde chegará?  E o respeito às diversidades, às liberdades, para onde vai? Conversão ou subversão?

Polaridades: quanto mais... quanto menos...

Dois lados da mesma moeda:

Quanto menos educado um povo, mais vulnerável a um messianismo qualquer de um charlatão qualquer...
Quanto menos informados, carentes, vazios são os indivíduos, mais sensíveis a promessas de qualquer natureza;
Quanto mais estreitos os horizontes, menor a  resistência a dificuldades corriqueiras;
Quanto menor o repertório de alternativas, maior a aceitação de saídas pouco dignas;

Quanto mais, quanto menos, situam-se em uma espécie de corda bamba, onde parceiros buscam um pseudo-equilíbrio: o estelionatário e a vítima; vivem em simbiose, alimentam-se mutuamente, dois lados da mesma moeda, opostos que se complementam, feitos um para o outro.

A educação, onde não há espaços para maniqueísmos, pode romper esse ciclo doentio e resgatar "vítima" e criminoso.

Maniqueísmo não é sinônimo de polaridade. A polaridade consiste em enxergar aquilo que está em oposição, como complementar (noite e dia, claro e escuro, frio e quente...) O maniqueísmo, antiga religião Persa fundada por Manes, no século III, enxerga um mundo dividido entre bem e mal. Embora essa antiga religião tenha sido considerada herética, essa visão tem contaminado, sempre, a prática do cristianismo.

No entanto, um pouco de reflexão e, logo, se percebe o engano. O problema é que não somos muito dados à reflexão. E mergulhamos de cabeça no maniqueísmo. E nem lembramos de meditar sobre a "Palavra": Não julgueis para não serdes julgados; com a mesma medida que medirdes medir-vos-ei; quem não tem pecado que atire a primeira pedra... Essas parábolas são a referencia para quantos se digam cristãos, para que compreendam que o mundo não está dividido entre bem e mal.

Muitas igrejas insistem na divisão; porque a segregação  é conveniente aos interesses que defendem, porque, assim, esperam arrebanhar um número maior de fiéis; e as pessoas vão para a igreja e acreditam que, ali estando, passam a integrar a categoria dos bons...Os maus estão lá fora, são os praticantes das outras religiões, são os que não tem religião, são os ateus...São os que optam por viver com mais liberdade, principalmente no terreno sexual, casando, descasando, casando com pessoas do mesmo sexo, fazendo sexo fora do casamento...

Enquanto isso, os "maus" fazem a festa, sem que se saiba onde eles estão: dentro ou fora das igrejas? Dentro e fora das igrejas?
Quem adere a uma igreja visando recompensas materiais, daquelas que são prometidas em púlpitos por aí a fora, ao estilo toma lá, dá cá, seria vítima? Não seria uma espécie de chantagista tentando "comprar" os favores de Deus?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

"Mateus15:11": analfabetos funcionais entenderiam?

A escolaridade das mães influencia no desempenho escolar dos filhosa escolaridade das mães influencia na saúde dos filhos. São constatações importantes de pesquisas realizadas no âmbito do Governo Federal.
Não conheço pesquisa que associe saúde e desempenho escolar dos filhos à adesão das mães a essa ou àquela religião. Mães que são constantes em rotinas religiosas (que, inclusive, ofertem o dízimo) porém com baixa escolaridade, conseguiriam cuidar melhor de suas famílias?

Cuidar melhor de si e dos outros requer conhecimento, informação.

O texto bíblico oferece conteúdo, por si só, que permita a um fiel aprender regras básicas de higiene e saúde aplicáveis aos dias correntes? Aliás, até que ponto um indivíduo com baixa escolaridade consegue usufruir, com proveito, os ensinamentos bíblicos?

Há uma passagem muito própria, contemporânea, ilustrativa, não importam os dois mil anos passados: "O que entra pela boca não contamina o homem, mas o que sai da boca, isso é que contamina ... O que entra pela boca, desce ao ventre, baixa à terra... O que sai, procede do coração e é isso o que contamina...Do coração procedem os maus sentimentos, os homicídios, o adultério...os furtos..." São essas coisas que contaminam o homem, mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina (Mateus, 15, 11 a 20).

Em um pais de milhões de analfabetos funcionais, quantos estariam em condições de compreender o maravilhoso significado dessas milenares palavras, sem deixar de lavar as mãos e "lavando", porém, o coração?

As igrejas não oferecem aos fiéis educação religiosa eficaz. Se o fizessem, os resultados seriam visíveis, afastando a tão falada "ausência de Deus", usada pelos crentes para explicar a violência. Talvez porque, analogamente aos maus políticos, não lhes interesse educar. Afinal, educar liberta, pode ser um tiro no pé... Vai que o fiel resolve mudar de igreja, abandonar a igreja, deixar de dar o dízimo...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Que tal avaliar o desempenho das igrejas?

É difícil praticar os ensinamentos cristãos, adotá-los no dia a dia. O caminho requer adesão consciente, atenção, disciplina, a cada momento, em cada impasse. E não prescinde do atendimento de necessidades básicas de saúde, educação e habitação, porque, afinal, vivemos no mundo da matéria. Será que os pregadores tratam o assunto com esse enfoque? Prometem e prometem, sobretudo prosperidade...Riquezas a serem auferidas em futuro próximo,  recompensa pelo que, de antemão, já se tenha doado em dízimos, seja em espécie, seja em bens.

O indivíduo, com poucos horizontes e poucas perspectivas de obter, com o fruto do próprio trabalho, os bens básicos necessários à vida, vira refém dessas promessas. Essa imensa parcela da população, parodoxalmente,  mostra do que é capaz: é com a doação dessas multidões que as igrejas mais poderosas vem construindo verdadeiros impérios. A fé dessas pessoas, efetivamente, traz resultados espantosos.

Uma dessas igrejas logrou, em pouco mais de 10 anos, abrir quatro mil e quinhentos templos. É um fenômeno digno de estudos sociológicos...E o empreendedorismo dos líderes dessas igrejas também merece ser investigado, examinado... Ainda que desfrutem de isenções fiscais que são vedadas aos demais mortais, trata-se de um grande feito porque esses líderes demonstram capacidade de gerenciar muito bem as fortunas que arrecadam.

Está visto, porém, que se trata de assunto pertencente ao plano da matéria e que o apelo espiritual  é, meramente, um recurso de marketing dirigido às massas, verdadeiras responsáveis pela construção desse imenso patrimônio.

As massas, porém, permanecem alijadas dos resultados auferidos, nada lhes é devolvido. Ficarão, eternamente, a espera dos milagres prometidos pela pregação. Com exceção: há pessoas que, por si mesmo, colocando os recursos de suas personalidades, lograrão algum sucesso material. E depositarão, aos pés do templo, parte de seus resultados. E quanto ao resultado espiritual? Será que existe? Essas pessoas, se pudessem ser avaliadas (da mesma forma que o Ministério da Educação avalia os estudantes), o que revelariam, em conduta moral e ética? Será que suas igrejas ganhariam o conceito 5? Do que precisamos, afinal, mais templos ou mais escolas?

domingo, 4 de dezembro de 2011

Mais templos ou mais escolas?

Há pessoas que atribuem o incremento da violência, nos dias presentes, à ausência de Deus na vida dos infratores. Numa visão simplificada, parecem acreditar que a adesão maciça à igreja que frequentam resultaria em transformação dos indivíduos e da nação. Pronto! Eis a solução ao alcance dos, ainda, ausentes, venham e depositem, aqui, suas expectativas...

Esses "ausentes", indecisos ou incrédulos convictos, tem à sua disposição milhares de templos , de variadas denominações. Das pentecostais: 13000 da Igreja Universal do Reino de Deus (a maior delas), 7.500 da Igreja do Evangelho Quadrangular, 4700 da Congregação Cristã do Brasil, 4600 da Igreja Brasil para Cristo, 4300 da Igreja Pentecostal Deus e Amor, 4.500, da Igreja Mundial do Poder de Deus, além de milhares de outras denominações de menor expressão e de nomes bizarros (Igreja Eu Sou a Porta, Bola de Neve, Automotiva do Fogo Sagrado, etc). E seguem as igrejas protestantes históricas: Batista, Luterana, Anglicana, Presbiteriana, Metodista, Adventista, e outras.

E a Igreja Católica? Há pouca informação no Google, mas seriam 8600 paróquias.

Quanto ao espiritismo kardecista e as religiões de origem africana, não fazem proselitismo, ou seja, não se vê, por aí, um espírita ou candomblecista fazendo o discurso da conversão ou reivindicando ser a "solução geral da moral individual", assim, magicamente, milagrosamente...

O fato é que, somente com os números identificados, já se ultrapassa os quarenta mil templos espalhados pelo Brasil, ou seja um templo para cada grupo de 4.466 brasileiros.

150000 fiéis já teriam lugar garantido na Igreja Mundial do Poder de Deus , em nova sede com capacidade superior a do Maracanã.

Conclusão: com tantos templos se multiplicando, a cada dia, se a pregação fosse eficaz, a criminalidade já não estaria em declínio?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Onde buscar socorro? Mateus, 5, 20

Se a justiça, no Brasil, tarda e falha e se a União comporta-se como litigante de má fé, o que nos resta?
"Mateus, 5,20: Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no reino dos céus."

Eis a verdadeira e inquestionável justiça, largamente exemplificada em todo o discurso de Cristo, até o último versículo do capítulo 5 ("Sede, pois perfeitos, como é perfeito o vosso pai que está nos céus").

A aplicação dessa visão de justiça dispensaria qualquer reparação pois, de antemão, tudo estaria em perfeita harmonia. Se cada indivíduo, seguindo naturalmente os preceitos do capítulo 5, se abstivesse de prejudicar os outros, estaríamos a um passo da educação perfeita. E os Advogados, juízes, mediadores e toda a categoria de atividades policiais tenderiam a desaparecer uma vez que todos se comportassem civilizadamente.

Como tantas outras profissões que foram suprimidas pela automação, pela revolução industrial e tecnológica,  carreiras com perfil de repressão ou de correição encolheriam, perderiam importância e prestígio e, por fim, a razão de existir. Em contrapartida, profissões ligadas à educação ganhariam  reconhecimento e remuneração compatível.

Hoje, quando as manchetes que reportam o tráfico de drogas e a corrupção, na esfera pública, monopolizam os espaços da mídia e mobilizam a atenção da sociedade, é compreensível que as carreiras do mundo jurídico, e a de policial federal, sejam a aspiração dos que buscam status e salários mais altos. Afinal, quanto mais bandidos audaciosos em ação, maior a necessidade desses profissionais, para investigar, prender, julgar, punir.

Mas é preciso quebrar esse ciclo perigoso ou, logo, estaremos divididos entre, bandidos de um lado e advogados e policiais de outro. Bastaria aplicar os preceitos de Mateus, 5,  antídoto perfeito para todos os vícios e defeitos de caráter. E colocar a educação em primeiríssimo plano, sempre nas mãos de professores, é claro... Religiosos pregam, não educam (e, alguns, sequer estão aptos a pregar) salvo quando tem formação de educadores.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Litigância de má fé

O Código de Processo Civil define como litigância de má fé a conduta pela qual se busca frustrar o curso da justiça, por meio de vários artifícios, todos relacionados no Art. 17. Um desses artifícios é, reiteradamente, usado para postergar o desfecho de ações movidas por servidores públicos contra a União: são recursos, embargos (ou lá o nome que tenha a  peça jurídica) construídos habilmente com o objetivo de rechaçar o direito dos reclamantes, obrigando o trânsito da ação em todas as instâncias, até o Supremo Tribunal Federal. Há, até, aquelas ações que, mesmo tendo ultrapassado todas essas barreiras ( "trânsito em julgado"), não resultam em pagamento do que é devido. É que, na fase de pagamento, novos processos são abertos para que a União cumpra com a obrigação. E acontece o inacreditável: esses processos passam a ser questionados, ora pela Advocacia Geral da União- AGU, ora pela própria Justiça; não pelo mérito, que já foi julgado, mas por bobagens burocráticas.

Meu irmão, professor de educação física de uma instituição federal,  ajuizou ação contra a União no ano de 1994. Ganhou, em 1999, adoeceu em 2005; utilizou a prerrogativa legal que determina a agilização do pagamento a portadores de câncer e de outras doenças que trazem risco de morte; inutilmente pois decorridos 6 anos de sua morte, seu filho, ainda menor de idade, e a viúva,  não receberam um centavo. E ninguém explica, satisfatoriamente, as razões pelas quais esses pagamentos não são realizados. Mesmo os pequenos valores, que deveriam ser pagos imediatamente uma vez que não são passíveis de inscrição em precatórios, não o são.

O Estado Brasileiro deixa de satisfazer obrigações irrefutáveis, já reconhecidas pela justiça. Paralelamente, seus representantes são lenientes com atos de corrupção praticados dentro da máquina federal.

É um estado que se serve da Justiça para oprimir o cidadão. Não pode ser classificado como um Estado de Direito, um Estado Democrático. Aqui, a justiça tarda e falha..

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Justiça: tarda e falha

Incrível  que o próprio Poder Público retarde a ação da Justiça, com intermináveis recursos e embargos, impetrados pela Advocacia Geral da União, e congêneres dos estados e do DF, até a última instância.

Ora, o Direito Administrativo obriga a que o administrador público reveja seus atos para corrigi-los. Aliás, qualquer um de nós, na vida particular, quando erra e assume, trata de consertar. Por que não o Estado?

O Estado também é responsável por abarrotar a Justiça e, em certa medida, mais do que as operadoras de TELECOM pois, embora, estas, sejam apontadas como vencedoras nesse horrível ranking, cabe ao Estado dar o exemplo. Mas, ao que parece, são outras as suas diretrizes: ganhar tempo, adiar despesas.

Marcos Mariano da Silva, 19 anos recluso por crime que não cometeu, morto aos 63 anos. E o governo do estado de Pernambuco, não satisfeito em  incapacitar um cidadão inocente (que deixou o sistema prisional cego e tuberculoso)  postergou os efeitos da Justiça, de modo que Marcos Mariano morreu antes de receber a compensação financeira pelo dano material e moral sofrido.

É certo que a União, assim como os estados, o DF e os municípios, não pode ficar indefesa em processos em que é ré. Mas, por que será que os advogados que  representam o Poder Público, depois de estudar devidamente as ações movidas por terceiros e de constatar aquilo que é de direito, não admitem o erro? Por que adiam  a  realização das expectativas daqueles a quem o Estado lesou? Todo réu tem direito à defesa; mas, daí a burlar o direito dos que buscam, na Justiça, a reparação do erro de que são vítimas, é inadmissível, é revoltante. Equivale a subtrair, do cidadão, qualquer recurso, em qualquer instância, caracterizando violação de direitos humanos, restando, como última medida, a apelação à Organização dos Estados Americanos.

Eu  penso que os advogados que fazem a representação jurídica dos entes do Estado Brasileiro, se pretendem ter orgulho do que fazem (tanto quanto do contra-cheque que recebem), precisam estar atentos a essa questão porque não há beleza, não há ética em ser um mero instrumento da covardia do Estado contra o cidadão.

domingo, 27 de novembro de 2011

Educação? Zero. Espiritualidade? Adormecida.

Estar bem informado, ser bem educado, é fator de saúde, porque faculta, ao indivíduo, as melhores escolhas, ainda que os recursos sejam escassos; aliás, quanto mais escassos, mais cuidadosa deverá ser a escolha.

Alimentar-se de forma consciente, não somente para saciar a fome ou para degustar guloseimas, mas para atender necessidades do corpo físico. Escolher boa música, bons livros, bons filmes... Escolher os melhores amigos, namorados e eventuais ficantes poupando-se da promiscuidade... Tudo isso requer um repertório prévio, de modo que se saiba o que buscar e onde.

Quando não se detém adequado conhecimento a cerca de questões básicas da vida, a única alternativa será aprender apanhando... Muitos não terão sorte, ou tempo para aprender, porque morrerão na  primeira pancada. No entanto, um aprendizado consistente, continuado, sustenta qualquer personalidade, nos embates da vida, e é capaz, até, de curar males psíquicos e físicos.

Reconhecer, em si, o espírito, a vida além do corpo, é crucial! Porque há valores que precisam ser cultivados, regras de respeito aos outros e a si mesmo, pregadas por diferentes religiões: não fazer mal a si mesmo e não fazer ao próximo o mal que não deseja para si.

É um preceito básico que precisa ser levado em conta quando se faz escolhas. É uma questão de boa educação.

Contudo, o corriqueiro são as situações opostas, na vida privada, tanto quanto no plano político, em que um indivíduo faz mal a coletividades simplesmente para satisfazer caprichos pessoais. E que caprichos tolos... amealhar montanhas de dinheiro, gastar desbragadamente, exibir luxo e poder...

Nossos políticos, ao ostentar riquezas produto de enriquecimento ilícito, exibem as próprias misérias e suas escolhas infelizes... Tanto quanto uma mulher, que exibe o corpo modelado por cirurgias plásticas, em trajes de piriguete, ou um homem que exibe a piriguete como troféu. Que repertório pequeno, quanta mesquinharia...

Educação? Zero. Espiritualidade? Adormecida.

sábado, 26 de novembro de 2011

Inteira liberdade e independência? Nem tanto...

É ilusão imaginar que se possa escrever, e publicar, com "inteira liberdade e independência"... A "inteira liberdade..." é adstrita a consequências eventualmente provocadas pelo que se escreve.
Quando decidi excluir o blog, que tinha por tema protestar contra a corrupção, o fiz por recear algum tipo de consequência. Entretanto, tudo que escrevi, em mais de trezentas postagens, foram somente comentários onde expunha, o mais didaticamente possível, os meandros de atos de gestão contaminados pela corrupção; e os mecanismos de controle, legalmente vigentes, pelos quais teria sido possível, ao Poder Público, impedir a concretização do mal feito.

Meu ponto de partida eram, sempre, acórdãos publicados pelo Tribunal de Contas da União e respectivos relatórios de auditoria onde se comprovava a  malversação escandalosa do dinheiro público. Ou seja, não era, eu, a responsável por qualquer denúncia (Haja coragem!); apenas esmiuçava indigestos relatórios técnicos, tentando tornar o assunto palatável. Mesmo assim, a certa altura, percebendo que  fazer "caixa dois", com superfaturamento e repasses de recursos públicos a fundo perdido, tornara-se medida corriqueira, do tipo "os fins justificam os meios", optei por excluir meus artigos.

Afinal, sou, somente,  uma cidadã indignada, não tenho o suporte de uma instituição com um departamento jurídico capaz de responder a uma eventual interpelação. Melhor prevenir porque, em 40 anos de Serviço Público, meu único patrimônio é a experiência.

E há um problema de fundo, nesse cenário de corrupção, que é a arrogância, a desinformação e a incompetência. E, um indivíduo arrogante que se julgue atingido em sua vaidade, reagirá, antes, pelo orgulho ferido do que por vergonha do ato praticado; e a retaliação não se fará esperar.

Corruptos arrogantes, arrogantes honestos,  ingênuos desinformados embriagados pela proximidade com o poder e que não conhecem absolutamente nada de administração pública...Tem razão um ex-colega de trabalho, piadista, que vivia repetindo: "Tem gente que acha bonito ser feio."  E eu completo: tem gente que se compraz na ignorância.

Agora mesmo, vimos, no noticiário, um ministro quase em lágrimas, se dizendo atacado, no episódio da substituição do BRT pelo VLT, ou seja, um projeto de 489 milhões daria lugar a um projeto de 1,2 bilhão...E não se pode questionar?