terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Resgatar o quê?

A palavra "resgatar" quando usada na discussão de questões que envolvem os problemas familiares da atualidade, principalmente em discursos proferidos por religiosos, é carregada de preconceitos. Procura-se fazer crer que, no passado, as famílias eram modelos de respeito e afeto e que, desde então, quase tudo teria mudado para pior.

Uma mulher jamais deveria compartilhar de semelhante visão, é um verdadeiro tiro no pé. Mas, lamentavelmente, aderem a essas frases de efeito destituídas de verdade e que não resistem à menor análise: é tudo uma deslavada mentira.  Afirmo, não só por ter levado a sério os meus estudos de História, ainda no antigo primeiro grau mas, também, por ter vivido a minha infância em parte da década de 50 e 60, ou seja, testemunhei muita coisa.

Senão, vejamos:

  • as mulheres eram tratadas com desprezo e muitas proibidas de ir à escola;
  • era frequente mulheres serem trancadas em casa pelos maridos, quando estes saiam para trabalhar;
  • a mulher era obrigada a se manter virgem até o casamento e, se não casasse, continuaria virgem pelo resto da vida;
  • o homem, mal entrava na adolescência, era obrigado a se relacionar com prostitutas;
  • a mulher, com alguma frequência, era ludibriada pelo namorado cedendo a chantagens emocionais e, ao aceitar relações sexuais antes do casamento, logo era repudiada;  
  • a mulher que cedesse ao namorado, ou noivo, abandonada por ele, se ficasse grávida  ou se fosse descoberta era expulsa de casa; 
  • uma mulher, se expulsa de casa por ter perdido a virgindade, muitas vezes se via obrigada à prostituir-se para sobreviver pois não tinha formação para o trabalho (as mulheres eram educadas para o casamento);
  • os homens, em geral, frequentavam prostíbulos na vigência do casamento e mantinham amantes e, até, segundas famílias com filhos, cachorro, papagaio... E tudo era aceito e acobertado na hipocrisia reinante;
  • até a década de 40, a mulher sequer tinha direito ao voto, ou seja era uma subalterna!; 
  • ares de mudança surgiram no final dos anos 50 e as mulheres começaram a ingressar no mercado de trabalho, muito timidamente pois, nessa época, a maioria das profissões era vedada às mulheres: elas podiam ser enfermeiras, professoras e assistentes sociais;
  • o crime de violência sexual não era visto como tal pois as mulheres que a sofriam, ainda que crianças, eram tidas como únicas responsáveis pela própria desgraça, provocadoras, imorais...; 
  • paro de enumerar, aqui, não por falta de descalabros somente para finalizar a postagem... Mas, antes, recuemos ao século XIX: todos sabemos que até o ano de 1888, nosso sistema econômico assentava-se na escravidão dos negros traficados da África e que as famílias de negros não eram tidas como tais! Crianças negras eram arrancadas de suas mães e vendidas e as mulheres negras eram sistematicamente estupradas! 
Com que então, o antigo modelo de família era perfeito e precisa ser resgatado??!!! quá, quá, quá, quá, quá, quá ...... 

Eu tive a sorte de nascer em uma família moderna para os padrões da época. Fui incentivada a estudar e a ter uma profissão. Lia muito e, desde cedo, compartilhava a leitura de jornais e revistas com meu pai, um homem bem informado e politizado. Minha mãe lia clássicos da literatura brasileira, uma dona de casa simples mas com a mente aberta. O interessante é que, ambos, tinham somente o antigo curso primário! E éramos muito pobres. 

Meus pais eram diferentes e, para honrar o que eles foram, vivendo contrariamente à maioria, falo a verdade.  Não podemos romantizar o passado. O que podemos e devemos fazer é melhorar o presente. 

Não há o que resgatar! Precisamos olhar detidamente os fatos que foram se desencadeando a partir das salutares mudanças do século XX que, embora bem vindas, tornaram a nossa sociedade extremamente complexa. Pagamos o preço de uma urbanização acelerada provocada pelo chamado êxodo rural, pagamos o preço de um elitismo corrupto que propiciou o abandono e a violência nas periferias das grandes cidades brasileiras. E os modelos de famílias, antigos ou modernos, não são os responsáveis por esse estado de coisas.

Temos uma questão política mas, infelizmente, há quem queira enxergar tudo sob um prisma religioso: tudo seria falta de Deus na vida das pessoas, tudo se resume e se explica na frase "são sinais dos tempos".

Porém, aos olhos de quem se permita examinar os fatos um pouco mais atentamente, o mundo mudou para melhor. Acredito nisso, por isso me repito e relembro o que postei no dia 02/01/2012 e , também, em 2010: No meu tempo, no seu tempo....

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A "Lei da moral e dos bons costumes".

Inevitável falar sobre a ação de políticos inescrupulosos, inevitável desabafar indignação e revolta quando, rotineiramente, a TV exibe a precariedade dos serviços prestados pelo Estado: calamidades provocadas por secas e por enchentes, se repetindo ano após ano; transporte coletivo incompatível com as demandas; ônibus abarrotados e mal conservados e rodovias idem; mortes nas estradas e trabalhadores gastando quatro horas por dia no deslocamento casa-trabalho...E nem se fale da precariedade dos sistemas de saúde e de educação.

É nesse contexto que uma deputada estadual do Rio de Janeiro ligada a um grupo religioso, possivelmente bem intencionada, propõe uma lei que visa resgatar valores morais. Soa bastante irônico... Primeiro, porque é à sombra do Poder Público que prosperam os maus exemplos... Segundo, porque somente a educação é capaz de suscitar "...Valores Morais Sociais, Éticos e Espirituais...". Será que a Deputada desconhece o papel que cabe à educação nesse terreno?

Não seria demais lembrar que o Art. 208 da Constituição Federal (a seguir transcrito) garante ao cidadão, desde 1988, o acesso à educação. Por quê, então, não se propõe cobrar o efetivo cumprimento daquilo que já está previsto? Para quê criar arremedos em paralelo?

O leitor que tiver tempo e curiosidade, compare o objetivo texto constitucional com o texto inócuo da Lei estadual nº 6394/2013, recentemente aprovada pelo Governador Sérgio Cabral. Políticos precisam trabalhar de verdade! Fazer de conta, chover no molhado? É coisa de estelionatário.

"Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:

I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Emenda 59, DE 2009)
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Emenda 59, DE 2009).

§ 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.

§ 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.

§ 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola."

Faria melhor, a Deputada, se olhasse os direitos de cidadãos cariocas, sistematicamente violados, quando lhes falta a saúde, a educação, a segurança, o transporte... Mas, o que se nota é que o Poder Público, em todas as esferas, negligente no cumprimento de seus deveres e eficientíssimo no sistema de arrecadação, ainda se furta ao atendimento de reclamações na Justiça, postergando, postergando, e postergando para, jamais, pagar o que deve ao cidadão reclamante. É ou não é imoral?

Lamentavelmente, a palavra "moral",  pronunciada por indivíduos desejosos de doutrinar, quase sempre é no sentido da conduta sexual alheia, algo que é do âmbito da privacidade de cada um!

Homens, mulheres, não importa se héteros ou gays, são humanos. Mas há aqueles que parecem enxergar somente a dimensão sexual das pessoas, uma espécie de ideia fixa!

Não faz muito tempo essa Deputada, preocupada com a moral e os bons costumes, declarou-se casta,  em estado de abstinência... Espero que suas "boas intenções", com esse "programa de resgate da moral",  não inclua o comportamento sexual alheio.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Feliz Natal!

E, de novo, comemoramos o Natal. Eu, cá, me sinto privilegiada pois já são 65 natais. Nem sempre comemorei ao estilo que se impõe, com ceias fartas e grandes reuniões...Mas nunca experimentei qualquer frustração por escapar do contexto e seguir a rotina típica dos outros dias do ano. Muito pelo contrário.

Havia, sempre, a confraternização no ambiente de trabalho... Nessas, eu estava presente ... E, muitas vezes, me diverti, não pela festa em si mas por assistir os desentendimentos entre colegas de trabalho: brigas ridículas por mesquinharias do tipo "...se fulano participar, não vou entrar no "amigo oculto"..."; "...Comprei presente caro e ganhei essa porcaria...". Enfim, comédia pura! 

Lembro-me de um colega, fumante, que filava cigarros habitualmente... Na abertura do "amigo oculto", coitado, foi presenteado com um pacote de cigarros... Eram os idos de 80, quando fumar estava na moda.

O prazer de estar em família, entre amigos, não tem data e nunca sai de moda. O que faz falta é o ritual, todos gostamos de rituais, uns mais, outros menos...Uns gostam de festas, outros são mais reservados...

A todos os que vem me honrando, lendo esses meus escritos, um grande abraço, um Feliz Natal, o menos convencional possível, com muita verdade e muita fraternidade.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Liberdade, liberdade...

Há quem prefira o monocromático entediante: todos pensando identicamente, defendendo as mesmas certezas... Entendo que se deva respeitar até mesmo essa preferência...Mas somente até um certo limite. 

Afinal, quem repudia tudo o que é diferente está, sempre, a um passo do fanatismo, portanto, um risco potencial para o direito que nós, os outros, temos de gostar de todos os tons e sons que pontuam todas as expressões da natureza, tudo o que a nossa percepção consiga divisar. 

Acredito que exista uma certa preguiça mental nos que se refugiam na mesmice das certezas... Será que leem o suficiente, será que buscam informações? Provavelmente não... não querem expor suas convicções a outros pensamentos, não querem iluminar e arejar suas mentes sombrias. São alvos fáceis dos que "vendem" vantagens e milagres, apesar do que está previsto no art. 171 do Código Penal Brasileiro, que assim define o crime de estelionato:

"Obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento."

É que a Constituição Federal ao assegurar, em seu art. 5º, a liberdade religiosa, indiretamente, dá abrigo a oportunistas que amealham fortunas iludindo esses incautos preguiçosos que se sujeitam a qualquer "cabresto", desde que permaneçam confortáveis em seus "cinquenta tons de cinza" (rrrsss).

"Art. 5º, VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;". 

Por causa desses "preguiçosos", os demais correm risco de ter restringido seus direitos, assegurados pelo mesmo art. 5º.

E aí? Onde buscar socorro se nem a Constituição garante o que pretende garantir?

O Meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra, afirma o salmista (Salmo 121). 

Todavia, o Senhor, além do céu e da terra, criou o ser humano dotando-o de equipamento corporal e capacidade de pensar. Portanto, esse ser humano não deve depositar todas as suas expectativas aos pés do "Divino" a pretexto de, assim, eximir-se de suas responsabilidades.

Aliás, para quem busca, na Bíblia, todas as respostas e, a pretexto de segui-la ao pé da letra, constrange e persegue o seu semelhante...Nada mais surreal! Afinal, a bíblia é um verdadeiro manual de boas maneiras, ditando regras de convivência e respeito ao próximo, nas palavras do Mestre Jesus:

"...O que queres que vos faça, façais ao próximo... " (Mateus 7:12); 

"...Reconcilia-te com teu inimigo enquanto estás com ele no caminho..." (Mateus 5:25); 

"..tira primeiro a trave do teu olho e então cuidarás de tirar o argueiro do olho do teu irmão..." (Mateus 7:5);

"...Sede, pois, perfeitos como vosso pai que está nos céus, que faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos..." (Mateus 5:45).

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Gente chata...


Acho deplorável aquele tipo de criatura que gosta de se fazer de vitima, que busca ser o centro das atenções manipulando as emoções alheias... Dissimulados, cheios de desculpas esfarrapadas,  tudo o que esse tipo não quer é se dar ao trabalho de ser uma pessoa melhor, embora insista em vender uma imagem de “gente boa”.  Quem assim se coloca, não tem respeito próprio. Como ousa, então, pretender o respeito alheio?

Na vida privada, pessoas com esse perfil  logo são “descobertas” ... Suas historinhas repetitivas, onde o papel de vilão cabe sempre aos outros, são intragáveis aos ouvidos alheios; e, se não recorrem a uma terapia, acabam rejeitados, com exceções porque, como se diz “há sempre um chinelo velho para um pé doente.” rrrsss... E, se têm dinheiro, “compram” a atenção dos outros.

E na vida pública? Não são poucos os que se dizem perseguidos!  Vítimas da Imprensa, vítimas do preconceito das antigas elites... Quanta  desculpa  para continuar abarrotando o “caixa 2” de seus partidos!  É uma gente muito, muito chata!

Quem não se faz de coitado, odeia provocar a piedade alheia. Portanto, nutre natural aversão por essas pseudo-vítimas, não cai nesse verdadeiro "conto do vigário". 

Mas há os que vivem de alimentar esses “joguinhos”... Carentes que são, viram plateia cativa de historinhas mal contadas. E, infeliz coincidência, os que curtem essas “anedotas”, não raro, também apreciam receber favores.  Gente chata mesmo!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Roubar é crime.

"Se vos permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (João 8: 31 e 32). 

Jesus proferiu estas palavras na ocasião em que era provocado pelos escribas e fariseus que buscavam encontrar um pretexto para ter de que acusá-lo. Ou seja, Ele era indagado mas, habilmente, esquivava-se de resposta específica atendo-se à essência da sua pregação. Assim, Jesus confundia ao invés de ser confundido pelos fariseus.

A humanidade não mudou e os fariseus estão por toda a parte: no Brasil, ardilosos, procuram confundir aqueles que insistem em ter a honestidade como princípio, como valor que não se negocia.

É nesse contexto que se tornou corriqueiro ouvir teorias bem construídas, mas risíveis, em que se procura antagonizar a população brasileira dividindo-a em dois grupos, os que estariam a favor dos pobres e os que estariam contra os pobres.

Por exemplo: enxergar defeitos no governo petista é estar contra os pobres; condenar atos de corrupção praticados durante a administração petista é estar contra os pobres.

Outro estratagema que busca confundir é comparar atos de corrupção que teriam sido praticados pela administração passada aos atos agora investigados, praticados durante a administração petista. Ora, roubo é roubo e o responsável, seja de que partido for, precisa ser punido. O roubo, ainda que comprovado, praticado em administrações passadas, não torna tolerável o roubo que se pratique agora. Não se justifica o próprio erro apontando o erro alheio.

Para quem está atento à "palavra", o que importa é a verdade (João 8:31 e 32): roubar é crime, fraudar é crime. O resto é "teatro" de péssima qualidade.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Rapapés e salamaleques: fanatismo na política

Iniciado o julgamento da ação penal 470, ou julgamento dos mensaleiros, verifica-se um  movimento, na Internet, em que indivíduos ligados a um partido político procuram desmoralizar o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel.

Há uma grande diferença entre criticar, apontando falhas e, simplesmente, depreciar, debochar, ridicularizar. Eu tenho por mim que o trabalho honesto merece respeito. Aliás, o Procurador, conforme registra sua biografia, ingressou no Ministério Público, por concurso público, em 1982, ou seja, tem dedicado a vida à essa carreira.

Não seria de estranhar que políticos pertencentes a castas privilegiadas, ditas oligarquias, manifestassem menosprezo pelo trabalho e por trabalhadores... Mas o que dizer de pessoas comuns que estão usando a web para atacar, raivosamente, um servidor público que está, tão somente, se desincumbindo de suas tarefas? A que ponto chegará esse fanatismo da política?

Estamos em vias de mergulhar no obscurantismo, retrocedendo, a passos largos, para a Idade Média... As liberdades serão extintas, seremos, todos, obrigados a "rezar o mesmo credo", a aplaudir um único líder, com muitos "rapapés e salamaleques", teremos que chorar convulsivamente quando "ele" morrer, como fizeram os infelizes coreanos quando morreu Kim Jong-Il... Seremos obrigados à unanimidade, sem discordâncias, sem discussão... Muito Chato, muito opressivo.

Lamentavelmente, há muitos que se sentem atraídos pelas personalidades autoritárias, gostam de rapapés, de vassalagem, gostam de não pensar... Não é à toa que se diz que cada povo tem o governo que merece.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Por que a qualificação e a sanidade mental de governantes não são avaliadas?

Hoje, dia histórico em que o STF inicia o julgamento dos "mensaleiros", fiquemos a postos, na torcida, como se fosse uma copa do mundo, contra os ladrões e pela vitória do bom senso, da vergonha na cara, torcendo, em resumo, pelo fim definitivo da impunidade.

Aqui, também, há castas. Diferentemente da Índia, porém, os que estão no topo da pirâmide social, detentores de todo o poder e de toda a riqueza, é que são uma espécie de intocáveis. Talvez seja mais correto afirmar que estão, de fato, fora da pirâmide, efetivamente intocáveis porque tudo lhes é permitido, pairam acima do bem e do mal.

Mas os "párias" daqui, ou seja, todos nós que não estamos no topo da pirâmide, é que são submetidos aos "rigores da lei". Somos párias, na medida em que temos sido alijados de tantos direitos básicos como saúde, educação, segurança e, até, do direito à justiça! Paradoxalmente, insistimos na auto-denominação de cidadãos.

O curioso é que qualquer de nós precisa comprovar e demonstrar aptidão e experiência para o exercício profissional, seja na esfera pública, seja na esfera privada. Precisamos provar que somos decentes e confiáveis. Para o exercício de mandatos políticos e de cargos públicos, designados como cargos de confiança, nada se exige. Então, desqualificados e bandidos vem tomando de assalto a administração pública.

Por isso temos, hoje, um julgamento de políticos no STF; porque, na política, é permitido o ingresso de mal feitores, porque não há um processo seletivo que exclua incompetentes, bandidos e os mentalmente incapazes, porque indivíduos obcecados por dinheiro e poder, tão loucos quanto qualquer outro viciado, jamais poderiam ser admitidos na gestão pública: psicopatas, debiloides, imbecis que não enxergam nada além do próprio umbigo.

Enfim, precisamos que se faça justiça, ao melhor estilo bateu? Levou! 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Um tabu: tratar a saúde mental

Três fatos, odiosamente corriqueiros, frequentam as manchetes dos jornais, em nosso país: as agressões a crianças, por pais e padastros, o assassinato de mulheres, por ex-companheiros, os desvios de recursos do orçamento público, por políticos e administradores. A covardia extrema é a marca desses comportamentos criminosos pois a vítima é surpreendida em completa fragilidade; seja o cidadão, traído por quem elegeu; seja a mulher, a mercê da insanidade machista; seja a criança, completamente desamparada no ambiente doméstico em que que deveria ter garantido o seu crescimento saudável.

A quantidade de mulheres assassinadas e de crianças agredidas, e muitas não resistem aos traumas sofridos, é assombrosa. Parece haver muitos "loucos" à solta. Na minha avaliação de leiga, trata-se de claro sintoma de desequilíbrio mental e emocional. A saúde mental da população deveria ser preocupação primordial do Ministério da Saúde. Contudo, não temos uma política pública para a saúde mental. O que temos é um imenso preconceito quanto ao tema "tratamento psiquiátrico e psicológico"; e todos se apressam em assegurar a própria sanidade mental, psíquica e emocional. Mas, como já disse o poeta Caetano Veloso "...De perto, ninguém é normal..."

E, o pior é que, mesmo para os que admitem a necessidade de apoio terapêutico, não há socorro à vista,  a não ser para os que detenham poder aquisitivo compatível com o alto custo das terapias. Ainda na minha avaliação de leiga, acredito que todos nós, absolutamente todos, precisamos de consultas periódicas com Psicólogos/Psiquiatras como rotina de saúde, da mesma forma com que frequentamos outros profissionais da Medicina. Mas isso é um tabu! Quantos de nós teríamos, em nossas jornadas de trabalho, comparecido ao RH da empresa, portando um atestado de um Psicólogo recomendando o afastamento por um dia, dois ou mais? No entanto, o próprio ambiente de trabalho é, muitas vezes, desestabilizador, verdadeira "fábrica de loucos". Busca-se o apaziguamento das inquietações nos "happy hour", com muita bebida. E, após "tranquilizados", os "doentes" retornam a seus lares onde, não raro, a família vira "saco de pancada".

Esse é o processo para muitos, dentre a maioria de nós, pobres mortais. Mas, o que dizer das altas autoridades que, em surto de ganância doentia, roubam o que pertence à coletividade, e se desculpam cinicamente alegando se tratar de "caixa 2"? Esses tem dinheiro de sobra para tratamento; mas qual, dentre todos, se auto-avaliará incapaz de administrar em decorrência da compulsão que têm por roubar?

Talvez Freud tenha razão, em sua teoria do desenvolvimento psicossexual, quanto aos desvios de personalidade como resultado de rupturas no amadurecimento da sexualidade. Por que tantas agressões são preferencialmente dirigidas a mulheres e crianças, por homens adultos? Por que a ganância masculina desmedida, consumada com a conquista do poder econômico e político, é coroada com a "conquista" de muitos elementos do sexo feminino? No baixo mundo da política, os poderosos colecionam amantes e desvios de conduta. E aqueles que, pela vida a fora,  tendo desfraldado a bandeira de repúdio ao homossexualismo, são descobertos em sua inclinação sexual secreta? Por que a excessiva preocupação, de muitos, com a inclinação sexual alheia?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

São Jorge, livrai-nos dos ególatras insanos...

São Jorge, livrai-nos dos ególatras insanos, narcisistas que arrebanham para si a riqueza do mundo;  e livrai-os, a eles, da ganância desmedida que os escraviza.

Estou surpresa com a quantidades de acessos no post "São Bento, livrai-nos dos corruptos"... Lembrei de postagem do dia 20/04, em que critiquei o interesse de internautas por superficialidades e afirmei: se quiser dar IBOPE, na Internet, é só focar questões cosméticas.

Então, me retrato; muitos buscaram, aqui, a oração em que apelei a São Bento contra os corruptos. Vamos apelar, também, para São Jorge.

[sao_jorge1.jpg]

Ó São Jorge, meu guerreiro, invencível na Fé em Deus, que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança abra os meus caminhos. Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer algum mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar. Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, a Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel cavalo meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Ajudai-me a superar todo o desanimo e alcançar a graça que tanto preciso: (fazei aqui o seu pedido) Dai-me coragem e esperança fortalecei minha FÉ e auxiliai-me nesta necessidade.  Com o poder de Deus, de Jesus Cristo e do Divino Espírito Santo. Amém!
São Jorge rogai por nós!


É bom abrir os olhos contra todo e qualquer preconceito, contra todo e qualquer fanatismo. A palavra é: "Aquilo que queres que os homens vós façam, fazei-o também a eles" (Mt, 7:12).

terça-feira, 29 de maio de 2012

O Nazismo ainda vive, seja lá o nome que tenha, hoje

Às vezes, acontece de eu tratar um tema de forma sucinta, planejando, porém, retomar o assunto pouco depois de postá-lo, para complementações e conclusões. Mas a falta de tempo não permite...E os dias vão passando...E perco o fio da meada, a linha de raciocínio, a inspiração... Ou outras ideias, outros fatos se impõem, atropelando o tema anterior. No caso da  "Marcha da Morte", deu-se o inverso pois o tema "holocausto" é que se impunha sobre os outros...Depois de ler o relato de Michael Stivelman, entrevista publicada na Revista "O globo" da semana, deparei-me com o mesmo assunto quando folheava revistas velhas que pretendia descartar...Era a entrevista de outro sobrevivente, Alexander Liberman; e completei o texto citando outro "holocausto", a matança de milhões de cambojanos, também "escravizados" em campos de concentração, durante a ditadura do grupo comunista denominado Khmer Vermelho.

Um artigo da jornalista Cora Rónai, publicado no Jornal "O Globo", no último dia 24/05, me fez retornar ao assunto. Ela comenta o livro "Fuga do Campo 14", em que a autora, Blaine Harden, narra a jornada de um prisioneiro, Shin Dong-Hyuk, que nasceu e cresceu em um campo de concentração, na Coréia do Norte e que, aos treze anos, assistiu a execução da mãe e do irmão, delatados em seus planos de fuga.

Cora Rónai é enfática: "...é um livro terrível, mas fascinante. Devia ser leitura obrigatória para quem ainda vê estados totalitários com bons olhos..."

É óbvio que ela tem razão. Quando falamos em Nazismo e holocausto, o fazemos como se estivéssemos abordando um fato histórico, encerrado no passado e na memória desses sobreviventes. No entanto, o modus operandi nazista subsiste, é um mal contemporâneo, seja o autor o Khmer Vermelho cambojano, na década de 70, seja a Coréia do Norte nos dias presentes...

Recentemente, todos nos surpreendemos quando o povo da Coréia do Norte verteu rios de lágrimas pelo ditador Kim Jong-il, morto em dezembro de 2011. Assistimos a cenas patéticas, beirando a farsa, em que era evidente a  necessidade da lacrimejante população de demonstrar imensa dor, talvez para convencer possíveis espiões do governo da sinceridade de sentimentos que nutriam pelo defunto mas que, para os olhos atentos do expectador do Ocidente, estampou o terror e a falta de liberdade dessas pessoas.

É. Tem gente que acha bonito ser feio, que acredita que regimes totalitários tenham algo a oferecer, que possam varrer do mapa, a corrupção...

Esse tema não quer me abandonar, ou sou eu que me atenho ao assunto e, assim, o atraio...
Tanto que, hoje, sem que tivesse programado, assisti a um documentário sobre a luta de uma outra sobrevivente, a herdeira judia  Maria Altmann,  para recuperar telas do pintor austríaco Gustav Klimt, pertencentes ao acervo de seus ascendentes, a família Bloch-Bauer, expropriados de seus bens, na Áustria, durante a segunda guerra mundial. Somente em 2006, depois de batalha judicial movida, na Suprema Corte dos Estados Unidos, contra o Governo Austríaco, conseguiu recuperar as telas! Impressionante porque o documentário revelou, com provas fartas, que todos sabiam, desse, e de muitos outros saques! Havia, até, uma casa de leilões onde os bens confiscados eram adquiridos por aqueles que, não se compadecendo das vítimas do nazismo, aproveitavam as pechinchas. Escrúpulo, zero!

Segundo o documentário, algumas famílias que, nos dias de hoje, desfilam prestígio e probidade, construíram seus patrimônios sobre o sangue de judeus europeus, fazendo vistas grossas à origem dos bens saqueados pelos nazistas que, se dizendo a raça superior, se comportavam como reles ladrões e assassinos.


E, aqui, mais uma notícia sobre um outro julgamento, onde um tribunal alemão obrigou nazistas a devolver obras de artes roubadas, há mais de 70 anos, avaliadas em 5,66 milhões de dólares.

Não é demais reiterar: É bom abrir os olhos contra todo e qualquer preconceito, contra todo e qualquer fanatismo. A palavra é: "Aquilo que queres que os homens vós façam, fazei-o também a eles" (Mt, 7:12).

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Marcha da Morte

Dois relatos publicados, na Revista "O Globo", de sobreviventes do Holocausto, colocam o leitor em contato com atrocidades praticadas pelo nazismo. Por mais que já se saiba do que é capaz certa categoria de seres humanos, quando alçada ao poder, a crueldade dos nazistas sempre surpreende e horroriza.

Michael Stivelman, um sobrevivente,  é autor do livro "A marcha da Morte", publicado recentemente, em que narra o horror vivido, ainda aos treze anos de idade, quando foi submetido, junto com um grupo de judeus poloneses, a uma caminhada forçada de 1500 KM. Ao longo do percurso, eram chicoteados, apedrejados, morriam pelo caminho e seus corpos eram deixados aos abutres ou sepultados em cova rasa. Essas marchas se tornaram comuns, ao final de 2ª guerra, quando milhões de judeus foram deslocados entre cidades, em mais uma tática de extermínio nazista.

O outro testemunho é de Alexander Liberman, publicado em 02/05/2010. Esse sobrevivente, depois de ter presenciado nazistas assassinando a irmã de apenas seis meses, juntou-se aos que combatiam o Nazismo, tornando-se soldado aos nove anos de idade. Sobreviveu a sete campos de concentração e fez parte da tropa de elite do exército israelense. Veja o relato no Guia do Estudante

Não faz muito tempo, na década de 70, outro louco fanático, o cambojano Pol Pot, comandou o assassinato de milhões de patrícios, obrigados a abandonar a capital (Phnom Penh) do Camboja, pequeno país localizado no Sudeste da Asia,  e migrar para a área rural para trabalhar em plantações de arroz, convertidas em verdadeiros campos de concentração

É de atemorizar. Afinal, nunca sabemos quantos "Hitler" estão por aí, despidos de qualquer compaixão, à espreita de exercer o sadismo típico de mentes doentias.

É bom abrir os olhos contra todo e qualquer preconceito, contra todo e qualquer fanatismo. A palavra é: "Aquilo que queres que os homens vós façam, fazei-o também a eles" (Mt, 7:12).

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Oração de São Bento

São Bento, livrai-nos dos corruptos que se instalaram no Poder e que, amparados pelo Poder, perpetuam suas maquinações e iniquidades.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

"Amar é faculdade, cuidar é dever."

É possível obrigar um pai a ser pai?, indaga, Eliane Brum, em sua coluna semanal da "Revista Época. "...é possível – e desejável – que um pai seja condenado por falta de afeto?

E vai mais longe, em suas considerações, a ponto de classificar como "frase de efeito" manifestação da Ministra Nancy Andrighi que, ao decidir pelo cabimento do pleito em que se cobrava  indenização por abandono afetivo, ponderou que:

"Amar é faculdade, cuidar é dever”.

Claramente não se trata de frase de efeito. Basta lembrar que há tantas coisas que fazemos a contragosto, por senso de dever, por necessidade...

Acontece, por exemplo, em relação ao trabalho: quantos de nós está em condições de escolher ganhar o pão de cada dia fazendo aquilo que gosta? E, quantas vezes, no dia após dia, aprendemos a gostar do trabalho que fazemos? Gradativamente, vamos desenvolvendo talentos e habilidades insuspeitadas, vamos nos surpreendendo e descobrindo que, afinal, aquela aversão inicial tinha por causa a nossa ignorância e falta de habilidade, era mais uma espécie de "medo do desconhecido".

Quase todos temos alguém que depende de nós...do produto do nosso trabalho. E o senso de dever precisa falar mais alto do que os desejos e preferências pessoais. Quanto a amar, é sempre uma possibilidade. "Amar se aprende amando." sentenciou o poeta Carlos Drummond de Andrade.

Eliane Brum entende que a decisão da Justiça "Talvez abra caminho também para injustiças... Uma indenização não muda sentimentos...Não obriga ninguém a passar a amar... Ao contrário, azeda uma aproximação futura..."

As injustiças, independentemente dessa decisão, estão aí...Desde sempre, filhos nascidos fora de uniões oficiais, os "bastardos", foram desprezados e humilhados. A reparação, portanto, é bem vinda, é um incentivo a responsabilidade nas relações. E, quem se sabe incapaz de amar, que não ponha filhos no mundo. Se o fizer, que assuma, ao menos, as obrigações básicas do tipo, comparecer a reuniões na escola, cumprimentar pelos sucessos e incentivar os estudos, parabenizar e presentear nos aniversários, assistir quando estiver doente...E, se não assumir, que pague por isso.

O que se nota, nesse caso e em outros que ganharam as manchetes dos jornais (filha do Pelé e filha do falecido vice-presidente José de Alencar), é um terrível preconceito contra a mulher, aquela que se deitou sem as bençãos de uma união formal, e cuja gravidez criou algum embaraço para o homem, que se torna pai a contragosto... E o preconceito, a hipocrisia, desaba sobre quem não pediu para nascer. É uma espécie de vergonha às avessas, onde o homem, pretendendo passar a imagem de correção, recusa-se a assumir o filho publicamente.